Isabel dos Santos transferiu milhões de conta que foi congelada sete horas depois

Disputa entre acionistas da operadora Unitel motivou ordem judicial de congelamento mundial dos bens de empresa da empresária angolana.

A empresária angolana Isabel dos Santos transferiu 238 milhões de euros de uma conta da empresa Vidatel horas antes da ordem judicial para o cancelamento dos bens da companhia, noticia o Público.

O caso, explica o jornal na sua edição desta quarta-feira, ocorreu em outubro de 2015 e foi mais um dos episódios da disputa entre os acionistas da operadora angolana Unitel, onde Isabel dos Santos controla 25% do capital através da Vidatel.

A transferência daquela verba para contas pessoais de Isabel dos Santos foi ordenada uma semana antes, pelo que o Supremo Tribunal das Caraíbas Orientais - sedeado nas Ilhas Virgens Britânicas - acabou por reconhecer que não houve desrespeito por parte da Vidatel da ordem judicial de congelamento dos seus bens.

A ordem judicial tinha sido ordenada a pedido da brasileira Oi, também com 25% da Unitel, como medida cautelar até à conclusão de um processo arbitral no litígio com os parceiros angolanos daquela operadora de telecomunicações.

Esta empresa disse ao Público que "nenhuma transação financeira ilegítima ou ilegal foi realizada pela Unitel ou por Isabel dos Santos".

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

A ameaça dos campeões europeus

No dia 6 de fevereiro, Margrethe Vestager, numa só decisão, fez várias coisas importantes para o futuro da Europa, mas (quase) só os jornais económicos repararam. A comissária europeia para a Concorrência, ao impedir a compra da Alstom pela Siemens, mostrou que, onde a Comissão manda, manda mais do que os Estados membros, mesmo os grandes; e, por isso mesmo, fez a Alemanha e a França dizerem que querem rever as regras do jogo; relançou o debate sobre se a Europa precisa, ou não (e em que condições), de campeões para competir na economia global; e arrasou com as suas possibilidades (se é que existiam) de vir a suceder a Jean-Claude Juncker.

Premium

Anselmo Borges

Islamofobia e cristianofobia

1. Não há dúvida de que a visita do Papa Francisco aos Emirados Árabes Unidos de 3 a 5 deste mês constituiu uma visita para a história, como aqui procurei mostrar na semana passada. O próprio Francisco caracterizou a sua viagem como "uma nova página no diálogo entre cristianismo e islão". É preciso ler e estudar o "Documento sobre a fraternidade humana", então assinado por ele e pelo grande imã de Al-Azhar. Também foi a primeira vez que um Papa celebrou missa para 150 mil cristãos na Península Arábica, berço do islão, num espaço público.

Premium

Adriano Moreira

Uma ameaça à cidadania

A conquista ocidental, que com ela procurou ocidentalizar o mundo em que agora crescem os emergentes que parecem desenhar-lhe o outono, do modelo democrático-liberal, no qual a cidadania implica o dever de votar, escolhendo entre propostas claras a que lhe parece mais adequada para servir o interesse comum, nacional e internacional, tem sofrido fragilidades que vão para além da reforma do sistema porque vão no sentido de o substituir. Não há muitas décadas, a última foi a da lembrança que deixou rasto na Segunda Guerra Mundial, pelo que a ameaça regressa a várias latitudes.