Isabel dos Santos: "Devemos impedir que estereótipos dificultem o caminho"

Presidente da Sonangol e da Unitel foi oradora em conferência internacional sobre Liderança e Inovação na 42.ª edição do The European House - Ambrosetti Forum

Expectativas e estereótipos não devem interferir no caminho dos empreendedores. Esta foi numa das mensagens deixadas hoje pela empresária angolana Isabel dos Santos, que participou como oradora na reunião "Leader del Futuro", no âmbito da 42.ª edição do The European House - Ambrosetti Forum, um dos mais influentes think tanks da Europa.

No evento, que reuniu este fim de semana no Lago de Como, em Itália, empresários, economistas, políticos e cientistas de todo o mundo, a presidente da Sonangol e da Unitel sublinhou que "a disciplina e a liderança são essenciais para pôr em prática boas ideias". Num painel sobre Liderança e Negócios em África, Isabel dos Santos referiu que "uma ideia e a capacidade de inovar está no centro de qualquer negócio" e que "tanto é importante nutrir as ideias e inovações, para que se desenvolvam como negócios eficazes, como é necessário saber quando suspendê-las, seja porque seriam impossíveis ou então por serem demasiado rebuscadas - especialmente em mercados emergentes".

Esta edição do The European House - Ambrosetti Forum, que decorreu de 2 a 4 de setembro, contou ainda com a presença de mais de 200 gestores de topo a nível mundial, além de outras figuras de relevo como Shimon Peres, Prémio Nobel da Paz, com o objetivo de discutir os assuntos mais prementes da atualidade. Kofi Annan, Joe Biden, Bill Gates, Henry Kissinger, Christine Lagarde, Wolfgang Schäuble ou Jean-Claude Trichet são nomes que também já passaram por lá.

Na sua intervenção, a empresária angolana destacou os exemplos de Steve Jobs, Mark Zuckerberg, Elon Musk e Richard Branson para explicar como o facto de haver diferentes tipos de líderes inovadores nos enriquece. "Os empreendedores devem inovar constantemente para corresponder às necessidades sempre em mudança dos consumidores, e lidar com a concorrência crescente e com os avanços tecnológicos, porque sem inovação a liderança fica estagnada", acrescentou. E recordou que, "ao trabalhar com mercados emergentes, é muito importante compreender o ambiente de negócio e as necessidades do mercado alvo". De acordo com um estudo da consultora Deloitte, a classe média africana triplicou nos últimos 30 anos, numa trajetória que sugere que irá aumentar em 42% até 2060.

A empresária sublinhou ainda o conceito de "inovação revertida" (reverse innovation) e da sua importância em mercados emergentes: "baseia-se na necessidade de mercados emergentes terem produtos mais simples e de baixo custo, levando então à criação de produtos feitos à medida para determinado mercado, os quais podem depois ser melhorados para os mercados desenvolvidos."

O Fórum The European House - Ambrosetti pretende dar a oportunidade a decisores do mundo dos negócios, governos, ciência e tecnologia para fazerem uma análise séria e de alto nível - com o apoio de estudos e estatísticas que são apresentados e debatidos ao longo do evento - de cenários geopolíticos, económicos, tecnológicos e sociais e as suas implicações para os negócios e as nações do mundo.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Anselmo Borges

Globalização e ética global

1. Muitas das graves convulsões sociais em curso têm na sua base a globalização, que arrasta consigo inevitavelmente questões gigantescas e desperta paixões que nem sempre permitem um debate sereno e racional. Hans Küng, o famoso teólogo dito heterodoxo, mas que Francisco recuperou, deu um contributo para esse debate, que assenta em quatro teses. Segundo ele, a globalização é inevitável, ambivalente (com ganhadores e perdedores), e não calculável (pode levar ao milagre económico ou ao descalabro), mas também - e isto é o mais importante - dirigível. Isto significa que a globalização económica exige uma globalização no domínio ético. Impõe-se um consenso ético mínimo quanto a valores, atitudes e critérios, um ethos mundial para uma sociedade e uma economia mundiais. É o próprio mercado global que exige um ethos global, também para salvaguardar as diferentes tradições culturais da lógica global e avassaladora de uma espécie de "metafísica do mercado" e de uma sociedade de mercado total.