Isabel dos Santos: "Capacidade de inovar está no centro de qualquer negócio"

"Nunca devemos deixar que expectativas ou estereótipos dificultem o nosso caminho", aconselhou a empresária

A empresária angolana Isabel dos Santos considerou hoje num evento em Itália que as boas ideias e a capacidade de inovar são fundamentais para o sucesso de qualquer negócio, realçando que é igualmente importante saber quando suspender um projeto.

"Uma ideia e a capacidade de inovar está no centro de qualquer negócio", afirmou Isabel dos Santos durante a sua intervenção na reunião "Leader del Futuro", na 42.ª edição do 'The European House - Ambrosetti Forum', um dos mais influentes 'think tanks' da Europa e que reuniu este fim-de-semana no Lago de Como, em Itália, empresários, economistas, políticos e cientistas de todo o mundo.

Segundo a presidente do Conselho de Administração da Sonangol e da Unitel, "tanto é importante nutrir as ideias e inovações, para que se desenvolvam como negócios eficazes, como é necessário saber quando suspendê-las, seja porque seriam impossíveis ou então por serem demasiado rebuscadas -- especialmente em mercados emergentes", lê-se num comunicado divulgado através da assessoria de imprensa da filha do líder de Angola, José Eduardo dos Santos.

Nesta conferência internacional sobre Liderança e Inovação, Isabel dos Santos, que foi uma das oradoras no painel sobre África, intitulado "Liderança e Negócios", vincou que a disciplina e a liderança são essenciais para pôr em prática boas ideias.

"Nunca devemos deixar que expectativas ou estereótipos dificultem o nosso caminho", aconselhou a empresária.

Para Isabel dos Santos, existem diferentes tipos de líderes inovadores, e essa diferença é enriquecedora, tendo destacado os exemplos de Steve Jobs, Mark Zuckerburg, Elon Musk e Richard Branson.

"Os empreendedores devem inovar constantemente para corresponder às necessidades sempre em mudança dos consumidores, e lidar com a concorrência crescente e com os avanços tecnológicos, porque sem inovação a liderança fica estagnada", assinalou.

E destacou: "Ao trabalhar com mercados emergentes, é muito importante compreender o ambiente de negócio e as necessidades do mercado alvo".

A responsável apontou para um estudo desenvolvido pela consultora Deloitte, segundo o qual a classe média africana triplicou nos últimos 30 anos, numa trajetória que sugere que irá aumentar em 42% até 2060.

Isabel dos Santos salientou também o conceito de "inovação revertida" ('reverse innovation') e da sua importância em mercados emergentes.

"Baseia-se na necessidade de os mercados emergentes terem produtos mais simples e de baixo custo, levando então à criação de produtos feitos à medida para determinado mercado, os quais podem depois ser melhorados para os mercados desenvolvidos", sublinhou.

O Fórum 'The European House - Ambrosetti' decorreu de 2 a 4 de setembro, com a participação de mais de 200 gestores de topo a nível mundial.

O objetivo desta iniciativa é dar a oportunidade a decisores do mundo dos negócios, governos, ciência e tecnologia para fazerem uma análise séria e de alto nível -- com o apoio de estudos e estatísticas que são apresentados e debatidos ao longo do evento -- de cenários geopolíticos, económicos, tecnológicos e sociais e as suas implicações para os negócios e as nações do mundo.

Em edições recentes já participaram Kofi Annan, Joe Biden, Bill Gates, Henry Kissinger, Christine Lagarde, Shimon Peres, Wolfgang Schäuble ou Jean-Claude Trichet.

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