Investimento em imobiliário perto de ser o mais elevado de sempre

Os últimos números do imobiliário abrem a porta a um ano forte. O volume de investimento vai superar o de 2017 e chegar à fasquia dos três mil milhões em Portugal. No primeiro trimestre, os negócios já passaram os 850 milhões

O arranque de 2018 foi forte para o investimento imobiliário em Portugal e o resto do ano deve seguir a mesma toada. Só nos três primeiros meses foram concluídos negócios na área comercial a rondar 850 milhões de euros, à boleia da venda de vários centros comerciais, o que abre a porta a que o investimento em imobiliário ascenda a valores nunca alcançados, depois de no ano passado ter rondado dois mil milhões de euros em termos comerciais.

"O investimento em imobiliário será em 2018 o mais elevado de sempre em Portugal. Não só em imobiliário comercial (de rendimento), que se prevê que ultrapasse os 3,5 mil milhões de euros", dizem ao DN/Dinheiro Vivo Cristina Arouca e Nuno Nunes da consultora CBRE, que opera na área do imobiliário comercial, por escrito.

Fernando Ferreira, da JLL, traça um cenário mais cauteloso. "Contamos que o volume investido deva atingir, no mínimo, um volume perto de dois mil milhões de euros e eu diria que, não sendo demasiado otimista, devemos atingir 2500 milhões de euros". "No primeiro semestre devemos atingir 1500 milhões de euros e, com o número e volume de transações que temos em mãos, não seria demasiado descabido ambicionar chegar a uma bonita marca de três mil milhões de euros investidos, um valor absolutamente incrível para a dimensão do nosso mercado e da nossa economia", diz também por escrito.

Os investimentos em Portugal têm sido feitos sobretudo pela mão de estrangeiros que, segundo contas da JLL, "representam hoje cerca de 85%". Lisboa e Porto são as zonas prediletas. "O Porto tem ganho importância crescente no radar dos investidores, por ter menor concorrência e preços significativamente mais reduzidos", sustenta a CBRE. Ao longo deste ano, o retalho vai ser o segmento que apresentará mais dinamismo, acredita a JLL. A área dos escritórios e industrial e logística "têm tido uma procura crescente, e ainda o segmento alternativo do student housing" deverão dar igualmente sinais de dinamismo. Já a CBRE não esconde que o mercado residencial tem sido alvo de um forte interesse. "As vendas do mercado residencial estão condicionadas por uma escassez de oferta. Mais produto houvesse mais se vendia". Por outro lado, "no imobiliário comercial vai ser um ano excecional em termos de vendas de centros comerciais, como já se verificou no primeiro trimestre".

Apesar deste retrato, há desafios que podem surgir e condicionar este mercado. "Um deles é de cariz político e macroeconómico e tem que ver com a estabilidade do país. É fundamental que a política fiscal se mantenha estável e que Portugal continue o seu percurso de credibilização nos mercados internacionais", refere Fernando Ferreira. O gestor sinaliza que propostas de alteração à lei do arrendamento "podem criar um efeito negativo na perceção do país", devendo estas ser "bem ponderadas e explicadas" para evitar tal cenário. "A falta de escritórios novos e de qualidade" é outro desafio.

Aposta para continuar?

Ainda com o primeiro semestre por fechar, Fernando Ferreira admite que "não é fácil projetar a longo prazo". Contudo, "o forte interesse dos investidores internacionais no imobiliário português está instalado e os setores ocupacionais, que sustentam a boa dinâmica do investimento, também devem continuar a viver momentos positivos para além de 2018". "Num contexto económico favorável (...) e em que Portugal consolida a sua credibilidade nos mercados internacionais, tudo leva a crer que teremos níveis de investimento em linha com a média dos últimos três anos."

Visão um pouco diferente tem a CBRE. Cristina Arouca e Nuno Nunes notam que "a elevada liquidez que tem sido canalizada para o mercado imobiliário resulta, em grande parte, da reduzida taxa de juro que tem vindo a ser praticada pelo BCE" e, dado que o banco estará a preparar-se para alterar a sua política, isso pode ter efeitos sobre este mercado. "Contudo, acreditamos que essas alterações serão muito graduais e, se assim for, o mercado vai continuar muito ativo em 2019, ainda que com algum abrandamento face ao que se espera ser um excecional 2018."

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Anselmo Borges

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