Hóspedes e dormidas na hotelaria aceleram crescimento para 10% em janeiro

Segundo o Instituto Nacional de Estatística, 69,6% das dormidas são em hotéis.

Os hóspedes e as dormidas na hotelaria aumentaram 10,3% e 10,7% em janeiro, para 870,7 mil e 2,1 milhões, respetivamente, tendo os proveitos totais subido 13% para 103,7 milhões de euros, divulgou hoje o INE.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), a evolução homóloga dos hóspedes e das dormidas acelerou em janeiro face ao mês anterior, quando tinha registado subidas de 9,6% e 9,8%, enquanto a dos proveitos progrediu "ligeiramente" menos, já que em dezembro o crescimento tinha sido de 14,6%.

Também nos proveitos de aposento a subida homóloga de janeiro foi "ligeiramente menos expressiva" do que a de dezembro, situando-se nos 15,1% (16,1% no mês anterior) para 71,4 milhões de euros.

No primeiro mês de 2016, as dormidas de residentes aceleraram e aumentaram 11,6% (+7,1% em dezembro), totalizando 720,7 mil, e as dormidas de não residentes "desaceleraram ligeiramente" e cresceram 10,2% (+11,6% em dezembro), para 1,4 milhões.

A estada média (2,46 noites) teve um "ligeiro acréscimo" (+0,4%) e a taxa líquida de ocupação cama aumentou 1,9 pontos percentuais (p.p.), atingindo 26,2%, enquanto o rendimento médio por quarto disponível (RevPAR) subiu 11,8% para 19,1 euros (+14,5% em dezembro).

Numa análise por tipologia de estabelecimento, o INE reporta um incremento de 10,5% das dormidas em hotéis, que corresponderam a 69,6% do total, enquanto os apartamentos e aldeamentos turísticos mantiveram "acréscimos assinaláveis" (38,9% e 35,3%), com os primeiros a abrangerem 6,5% do total de dormidas (+1,3 p.p.).

Os 12 principais mercados emissores de turistas para Portugal tiveram uma quota de 80,1% em janeiro de 2016 (+0,7 p.p.), destacando-se o Reino Unido pelo "aumento significativo" das dormidas (+16,2%), que lhe permitiu atingir um peso relativo de 21,9%.

O mercado alemão (14,4% do total) cresceu 7,9%, em linha com os meses anteriores, e o mercado espanhol manteve "resultados expressivos" (+24,1%), embora tenha desacelerado, com a respetiva quota a aumentar para 9,9% (+1,1 p.p.).

Segundo o INE, os resultados de França (+9,7%) ficaram aquém do mês anterior (+13,1%), tendo este mercado representado 7,5% das dormidas de não residentes, e a evolução dos restantes mercados foi "marcadamente positiva", com destaque para a Irlanda (+25,9%) e EUA (+24,0%).

O Brasil foi o único dos principais mercados a cair (-20,0%), mantendo-se em redução "desde agosto de 2015".

Em janeiro, o instituto dá destaque ao "acréscimo expressivo das dormidas" ocorrido nos Açores, que atingiu os 66,5% devido ao "reforço do transporte aéreo de/para esta região face a igual mês do ano anterior".

Considerando apenas as dormidas de não residentes, os Açores registaram uma subida de 84,4%, enquanto a estada média subiu uns "assinaláveis" 13,9% e a taxa de ocupação aumentou 8,6 p.p. para 22,4%.

As restantes regiões do país mantiveram também uma evolução positiva, salientando-se o Algarve (+18,8%) e o Norte (+16,8%), sendo de referir os aumentos de dormidas de não residentes no Norte (+22,3%), Centro (+19,9%) e Algarve (+17,0%).

Já em Lisboa as dormidas "pouco aumentaram" (+0,7%), tendo sido esta a região com maior procura (29,7% das dormidas totais), mas com redução de quota (32,6% em janeiro de 2015).

Em termos de representatividade seguiram-se o Algarve (20,7%) e a Madeira (19,7%).

Para a desaceleração registada nos proveitos em janeiro apenas contribuiu, de acordo com o INE, a região de Lisboa, já que nas restantes regiões os resultados superaram os de dezembro.

No que respeita ao RevPAR, Madeira e Lisboa apresentaram a maior rentabilidade média por quarto disponível (31,9 e 30,9 euros, respetivamente), tendo os aumentos "mais significativos" ocorrido nos Açores (+62,6%), no Norte (+17,8%) e na Madeira (+17,7%).

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João Gobern

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