Chegaram mais hóspedes até setembro mas ficaram menos noites

O número de hóspedes que ficaram na hotelaria superaram os 16,5 milhões de pessoas até setembro. Contudo, as dormidas registam uma queda ligeira.

Nos nove primeiros meses deste ano, ficaram instalados na hotelaria nacional mais de 16,5 milhões de pessoas, o que representa um crescimento ligeiro - de 1,3% - face ao mesmo período do ano passado. Contudo, nas dormidas há um efeito contrário, registando-se uma diminuição ligeira. Até setembro, registaram-se mais de 46,1 milhões de dormidas. Nos três primeiros trimestres de 2017 houve mais de 46,3 milhões de dormidas, de acordo com os dados divulgados esta quinta-feira, 15 de novembro, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

As dormidas dos não residentes continuam a superar as dos turistas nacionais, mas mesmo assim registam uma quebra ligeira. Foram registadas mais de 32,6 milhões de dormidas por parte de cidadãos estrangeiros na hotelaria nacional até setembro. Sendo que, em igual período de 2017 foram registadas mais de 33,5 milhões de dormidas. No que diz respeito às dormidas por parte de turistas nacionais, estas superaram a fasquia dos 13,4 milhões, mais do que os 12,8 milhões registados no ano passado.

Quanto aos principais mercados emissores, o Reino Unido, França, Alemanha e Espanha continuam a ser determinantes. Para se ter uma ideia, ficaram em Portugal mais de 1,4 milhões de turistas britânicos até setembro e alemães foram quase 987 mil. Em ambos os casos registou-se uma queda ligeira no número de hóspedes face aos primeiros nove meses do ano passado.

Por outro lado, turistas oriundos por exemplo dos Estados Unidos e do Brasil continuam a crescer. Nos primeiros nove meses, hospedaram-se em Portugal mais de 639 mil norte-americanos - mais do que os quase 528 mil registados no mesmo período de 2017 - e mais de 724 mil brasileiros - número acima dos 656 mil do ano passado.

O setor tem manifestado preocupação com a quebra dos turistas britânicos - o principal mercado emissor para Portugal. É que apesar de turistas de países como EUA e Brasil estarem a eleger, cada vez mais, Portugal como destino, por norma, ficam menos tempo. "O americano quando viaja para a Europa não é para vir passar 15 dias de férias num resort. Vem jogar golfe ou vem visitar cidades europeias com história, ou cidades com dimensão e que tenham um relacionamento com as origens dos seus antepassados", explicava Elidérico Viegas, presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA) ao Dinheiro Vivo, no final de setembro. "Os ingleses é o oposto: vêm para o Algarve, ou para destinos como o Algarve, designadamente com as famílias. A motivação principal é o clima ameno. As pessoas passam uma semana ou duas de férias nas praias e piscinas".

Setembro com mais hóspedes

Olhando apenas para o mês de setembro é possível perceber que o número de hóspedes na hotelaria nacional aumentou ligeiramente. Ficaram mais de 2,2 milhões de pessoas nas instalações nacionais, o que representa uma subida de 0,2% face ao mesmo período do ano passado. As dormidas ascenderam a mais de 6,2 milhões, menos 1,3% que em setembro de 2017. "As dormidas de residentes aceleraram e registaram um crescimento de 9,0%, enquanto as de não residentes diminuíram 4,9%. Em setembro, a estada média (2,78 noites) reduziu-se 1,5%.

A taxa-líquida de ocupação-cama (63,2%) recuou 1,6 pontos percentuais. Os proveitos desaceleraram, tendo no total apresentado um crescimento de 1,2% e atingido 420,2 milhões de euros. Os proveitos de aposento cresceram 2,7%, ascendendo a 314,1 milhões de euros", pode ler-se no documento do INE.

Quanto à origem dos turistas, de notar que o mercado britânico continua a ser muito relevante, tendo ficado mais de 218 mil turistas só em setembro, mas ainda assim menos que no mesmo mês do ano passado. Em sentido oposto estiveram os mercados norte-americano e brasileiro, que registaram mais turistas na hotelaria nacional.

Ana Laranjeiro é jornalista do Dinheiro Vivo

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