Ryanair pergunta aos tripulantes porque faltaram ao trabalho

Empresa irlandesa está a enviar uma carta aos funcionários a pedir para justificarem a ausência nos dias de greve. Em Portugal, em dois dias, foram cancelados 58 dos 101 voos previstos

A Ryanair está a perguntar aos funcionários que não compareceram ao serviço nesta quarta e quinta-feira a razão dessa falta. Um procedimento que visa saber as razões das ausências e que, segundo disse ao DN fonte sindical, não deverá ter qualquer outra implicação além de possibilitar aos tripulantes informar a empresa de que fizeram greve ou se não foram trabalhar por outro motivo.

"Foi-nos atribuída uma falta de comparência e agora compete-nos informar a empresa da razão de não termos ido trabalhar. Pode ter sido pela greve ou por outro motivo qualquer", explicou.

No documento, pode ler-se que o funcionário não será pago pelo dia de ausência e essa verba será retirada do vencimento de agosto.

O cancelamento de 58 voos, dos 101 previstos para os aeroportos nacionais, nestas 48 horas foi considerado uma "vitória" pelas estruturas sindicais. "Foi uma demonstração do descontentamento dos tripulantes. Estamos descontentes com o facto de a Ryanair não querer negociar para aplicar a legislação portuguesa", adiantou ao DN um elemento do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil.

Os dados fornecidos ao DN mostram que, no caso nacional, a transportadora irlandesa acabou por cancelar mais oito ligações do que as previstas na semana passada quando adiou 50 voos. Nessa altura, a Ryanair adiantou que a greve destes dois dias - a segunda em Portugal depois da paralisação a 29 de março e 1 e 4 de abril - iria afetar cerca de dez mil pessoas.

Nas últimas horas, os responsáveis da empresa publicaram na rede social Twitter um pedido de desculpa aos clientes da Bélgica, Espanha e Portugal pelos voos cancelados.

Das quatro bases que a empresa de aviação tem em Portugal só em Ponta Delgada se cumpriram todas as ligações previstas nestes dias: três.

Nos dois dias em Lisbo foram cancelados 12 dos 20 voos previstos; no Porto não se fizeram 27 ligações em 44: e em Faro não deslocaram 19 dos 31 voos agendados. No total foram canceladas 58 das 101 ligações planeadas, ou seja 57% não foram feitas. Sendo que destas 50 já estavam canceladas desde a semana passada, portanto a surpresa para a empresa foi a não realização de oito voos.

Durante este período a empresa não tentou substituir tripulações - o que é proibido e a Autoridade para as Condições de Trabalho esteve a verificar em Lisboa, Porto e Faro - o que, aliás, também, teria dificuldades em fazer, segundo o sindicato. "A adesão foi de tal ordem que dificilmente o conseguiriam fazer", garantiu.

Na Europa

Nos três outros países cujos tripulantes de cabine se associaram a esta greve, os dados transmitidos ao DN mostram que na Bélgica foram cancelados 73 dos 100 voos previstos e em Itália, que só cumpriu um dia de paralisação (nesta quarta-feira, dia 25) 130 ligações não foram realizadas.

Já em Espanha, praticamente só voaram as tripulações da Ryanair que estavam ao abrigo dos serviços mínimos pedidos pelo governo. Ou seja, as descolagens previstas entre as 07.00 e as 10.00 e as 18.00 e as 21.00 foram efetuadas, ou seja em dois dias mais de 400 em cerca de 800 previstos.

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