Goldman Sachs. Um lobo de Wall Street faminto na Europa

Goldman Sachs esteve envolvido na crise da dívida grega e também em vários grandes negócios realizados em Portugal

Poder, dimensão, influência e também muitas polémicas. O Goldman Sachs é um dos gigantes de Wall Street, sendo considerado o maior banco de investimento do mundo. A forma agressiva como atua no mercado levou a que esteja envolvido em algumas polémicas, sendo até apontado por um dos responsáveis pela crise do subprime nos EUA e pela crise das dívidas soberanas na Europa. Com a Grécia, terá feito jogo duplo.

A Goldman Sachs ajudou o governo grego a mascarar o défice, de forma a que o país consiga entrar na moeda única em 2001, tendo lucrado com isso. O banco terá concedido um empréstimo secreto de 2,8 mil milhões de euros (disfarçado de swap cambial não contabilizado), o que permitiu à Grécia aderir à zona euro, mas passar a ter uma dívida de 5,5 mil milhões de euros (quase o dobro do empréstimo, a pagar até 2037) o que contribuiu para piorar a dívida grega.

Em 2010, o The New York Times denunciava estas práticas, com um artigo em que referia que este tipo de instrumentos financeiros desenvolvidos por bancos como o Goldman ou o JPMorgan permitiram a governos europeus (caso da Grécia, mas também Itália) ocultar empréstimos adicionais que faziam. Estas mesmas práticas tinham levado à crise do subprime nos Estados Unidos.

Hoje, este tipo de operações já não são permitidas, mas o Goldman Sachs continua a fazer um boa parte dos seus negócios com os Estados e as respetivas dívidas. Só neste ano, o banco já comprou mais de mil milhões de euros em dívida pública portuguesa.

O banco esteve envolvido em vários negócios em Portugal (além do período do governo Durão Barroso - ver texto principal), tendo participado, entre 2005 e 2006, no projeto do TGV. O Goldman fazia parte de um consórcio com o Finantia e o Depfa Bank tendo recebido as três entidades 300 mil euros para assessoria financeira à RAVE (Rede Ferroviária de Alta Velocidade).

O Goldman tem também um histórico vencedor a impedir a concretização de OPA (ofertas públicas de aquisição). Em 2006, a PT pagou 37 milhões de euros ao banco para impedir a OPA (por parte da Sonaecom) e, mais tarde, o BPI pagou 11 milhões de euros para evitar a OPA ao BPI (por parte do BCP). Teve sucesso em ambos os casos.

Os negócios são incontáveis com algumas das maiores empresas nacionais. Em 2007, foi ao Goldman que a EDP comprou a empresa norte-americana Horizon Wind Energy, compra integrada no plano de investir nas renováveis, tendo pago 1,6 mil milhões de euros.

Voltando para o plano mundial, o Goldman Sachs tem influência por todo o mundo. De tal forma que, em 2011, numa entrevista à BBC, o conhecido corretor bolsista Alessio Rastani disse que "não são os governos que mandam no mundo, é o Goldman Sachs".

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