Gastos com pensões vão atingir os 15% do PIB em 2030

O Panorama das Pensões 2017 revelou que a despesa do Estado, entre 1990 e 2013, passou de 4,8% do PIB para os 14%

Os gastos com pensões em Portugal, que mais do que duplicaram nas duas últimas décadas, vão continuar a aumentar e atingir os 15% do PIB em 2030, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Segundo o Panorama das Pensões 2017, a despesa do Estado em pensões, entre 1990 e 2013, passou de 4,8% do Produto Interno Bruto (PIB) - abaixo da média da OCDE que era de 5,8% - para os 14% do PIB, bem acima da média de 8,2% da OCDE.

As projeções da organização revelam que, em Portugal, o peso das pensões no PIB deverá continuar a subir e atingir o pico de 15% do PIB em 2030/35, e corrigir a partir daí, mas permanecendo sempre acima dos 13% até 2060, com o país a continuar a gastar mais com as pensões, face à média dos países da organização.

Na média dos países da OCDE, o relatório estima que os gastos com pensões passem dos atuais 8,9% do PIB para 10,9% do PIB em 2060.

Entre 2000 e 2013 os gastos com pensões subiram em Portugal 78,4%, a terceira maior subida entre os países que compõem a organização, apenas ultrapassada pelo México (que aumentou em 175,4% os gastos com pensões para 2,3% do PIB) e pela Coreia (que aumentou em 99,3% para 2,6% do PIB).

Próximos de Portugal estiveram os aumentos na Grécia (de 67,6% para 17,4%) e na Turquia (de 66,4% para 8,1%).

A idade da reforma completa nos países da OCDE aumentará 1,5 anos para homens e 2 anos para as mulheres até 2060 para situar-se nos 66 anos.

Em Portugal - onde no próximo ano a idade da reforma será de 66 anos e 4 meses -, será preciso chegar aos 68 anos para em 2069 ser possível conseguir a reforma completa, indica o relatório que sinaliza que em Portugal 34,5% da população ativa tem mais de 65 anos (acima dos 27,9% da média da OCDE).

No relatório, a OCDE evidencia que o aumento da pressão que a subida da esperança média de vida está a colocar ao nível da sustentabilidade das pensões conduzirá a um aumento da idade ativa, que garanta o financiamento das pensões.

A OCDE cita Portugal - a par do Chile, Estónia, Itália, México, Noruega, Eslováquia, República Checa e Suécia - como um dos "bons exemplos" de incentivos a trabalhadores para trabalharem até mais tarde.

As diferenças entre os países serão significativas e estima que em três que se alcance a barreira simbólica dos 70 anos: Itália e Holanda (71) e Dinamarca (74).

A esperança média de vida das pessoas com mais de 60 anos na OCDE é atualmente de 23,4 anos e deverá passar para os 27,9 anos 2050, o que resultará num forte aumento da taxa de dependência económica dos idosos, refere.

O secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, citado na nota que acompanha o relatório sublinha as mudanças fortes que estão a ocorrer no mercado laboral: "Os governantes deverão garantir que as decisões hoje tomadas tenham estas mudanças em consideração e que os sistemas de proteção social não deixem ninguém para trás".

Ler mais

Premium

João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.

Premium

Rogério Casanova

Três mil anos de pesca e praia

Parecem cagalhões... Tudo podre, caralho... A minha sanita depois de eu cagar é mais limpa do que isto!" Foi com esta retórica inspiradora - uma montagem de excertos poéticos da primeira edição - que começou a nova temporada de Pesadelo na Cozinha (TVI), versão nacional da franchise Kitchen Nightmares, um dos pontos altos dessa heroica vaga de programas televisivos do início do século, baseados na criativa destruição psicológica de pessoas sem qualquer jeito para fazer aquilo que desejavam fazer - um riquíssimo filão que nos legou relíquias culturais como Gordon Ramsay, Simon Cowell, Moura dos Santos e o futuro Presidente dos Estados Unidos. O formato em apreço é de uma elegante simplicidade: um restaurante em dificuldades pede ajuda a um reputado chefe de cozinha, que aparece no estabelecimento, renova o equipamento e insulta filantropicamente todo o pessoal, num esforço generoso para protelar a inevitável falência durante seis meses, enquanto várias câmaras trémulas o filmam a arremessar frigideiras pela janela ou a pronunciar aos gritos o nome de vários legumes.