França é o maior investidor estrangeiro em Portugal

Empresas francesas são as segundas em número, postos de trabalho criados e volume de negócios. Só Espanha tem mais.

Com oito mil milhões de euros investidos em 2015, França mantém uma posição de topo na economia portuguesa e tornou-se o primeiro investidor estrangeiro em Portugal em termos de investimento indireto. A conclusão é do estudo "Marca Portugal: O contributo das empresas portuguesas", que será apresentado hoje durante a 5.ª Conferência Franco-Portuguesa, com a presença do ministro da Economia e das Finanças francês, Michel Sapin, e também do seu homólogo português Mário Centeno e do primeiro-ministro, António Costa.

"É previsível que se mantenha uma continuidade do nível de investimento francês em Portugal. A presença hoje do n.º 3 do governo francês em Lisboa mostra que há vontade de fazer crescer a relação ainda mais. O investimento francês vai aumentar se Portugal mantiver a sua competitividade", disse Pierre Debourdeau, presidente da secção portuguesa dos conselheiros do Comércio Externo de França, em declarações ao DN/ /Dinheiro Vivo, sublinhando a presença forte das empresas francesas em Portugal nos setores financeiro, da indústria, serviços, comércio, entre outros.

De acordo com o mesmo estudo, as filiais francesas com presença em Portugal ocupam o segundo lugar, depois de Espanha, em termos do número de empresas (582), empregados (61 598 postos de trabalho) e volume de negócios (14 274 mil milhões de euros). Desde 2014, a França lidera o pódio dos países com filiais em Portugal que mais dinheiro geraram nos setores da informação e comunicação, transportes e armazenagem, construção e imobiliário, indústria e comércio.

Apresentado hoje na conferência franco-portuguesa por Diogo da Silveira, presidente executivo (CEO) da The Navigator Company e vice-presidente dos conselheiros do Comércio Externo de França em Portugal, e Serge Le Bolès, diretor--geral do BNP Paribas Personal Finance, o documento sublinha que a "França mantém uma posição de topo na economia portuguesa devido aos investimentos que as filiais francesas fazem em Portugal". A Meo é a primeira empresa francesa no top 100 nacional devido à aquisição da PT pela Altice, por 7,4 mil milhões de euros, uma vez que as empresas francesas correspondem a 83% do total no setor das telecomunicações. Já na distribuição, a França mantém uma posição de topo com os grupos Auchan e Intermarché a ocuparem os 2.º e 3.º lugares, sem esquecer a FNAC, que prevê abrir, pelo menos, mais cinco lojas em território português até 2018 e investir cinco milhões de euros.

Na indústria automóvel, a francesa Faurecia irá criar mais 400 empregos em 2017 e investir 41,5 milhões, enquanto a Renault vai investir 100 milhões de euros e criar mais 150 empregos. Nos transportes, a França chegou ao topo do setor em Portugal com a aquisição da ANA pela Vinci por três mil milhões de euros. 50% é a parte francesa no total da atividade das empresas de transportes em Portugal.

"O estudo mostra que França é o primeiro contribuinte para a economia portuguesa em termos de valor acrescentado bruto (VAB). Portugal precisa de investimento estrangeiro como de pão para a boca e para isso tem de manter a sua competitividade. O facto de ser um país seguro também joga a favor de Portugal", reforçou Pierre Debourdeau.

No âmbito da Conferência Franco-Portuguesa, organizada pela embaixada de França em Portugal, pelo Comércio Externo de França e pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Francesa, o ministro da Economia e das Finanças francês, Michel Sapin, irá reunir-se hoje com o seu homólogo das Finanças, Mário Centeno, para discutir "assuntos de interesse comum, designadamente questões europeias, com destaque para o aprofundamento da União Económica e Monetária e o desenvolvimento do Plano Junker".

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