Félix Morgado contra novas nomeações no Montepio

Presidente do banco não se demite mas está em rutura com o acionista Tomás Correia devido a mexidas na administração

Voltou a incerteza quanto ao futuro da Caixa Económica Montepio Geral (CEMG). José Félix Morgado, presidente do banco detido pela Associação Mutualista Montepio Geral, está contra a nomeação de dois novos administradores. A mudança na administração do banco foi anunciada publicamente por Tomás Correia, presidente da Mutualista. Félix Morgado já comunicou ao acionista que não concorda e que não aceita mudanças na administração a um ano de concluir o mandato, no final de 2018. Este desenvolvimento é um forte revés às intenções de estabilizar o Montepio, que com a entrada de Félix Morgado registou ma melhoria nos resultados e na credibilidade do banco no mercado.

A Mutualista é o principal acionista do Montepio mas em breve a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) deverá ficar com até 10% do capital do banco, com a injeção de 200 milhões de euros no banco.

Edmundo Martinho, provedor da SCML afirmou, em entrevista ao Público no dia 6 de dezembro, que após a entrada como acionista do Montepio, irá nomear um a dois administradores para o banco.

Gota de água

Mas Félix Morgado tem outras preocupações. Ao que o DN/Dinheiro Vivo apurou, também está preocupado com o processo de cobrança de créditos que foram concedidos pelo banco no período antes do ano de 2015. Por outro lado, o gestor também receia que Tomás Correia possa vir a querer vender parte do capital do banco Montepio ao grupo chinês CEFC, que acaba de comprar a maioria do capital da seguradora Lusitânia.

O acordo com o grupo chinês, que vai passar a deter uma posição maioritária no Montepio Seguros, foi assinado em Xangai no final de novembro passado. O grupo foi classificado pelo Financial Times como "opaco" e recentemente teve de emitir um comunicado onde aproveita para negar ligações a um caso de corrupção e branqueamento de capitais.

Ontem, chegou a ser dada por garantida a saída de Félix Morgado do Montepio até ao final deste ano e a Associação Mutualista mostrou-se surpreendida. "Para a Associação Mutualista, a tomada de posição de Félix Morgado foi recebida com total surpresa. A ser verdade, estas declarações que têm vindo a público só o responsabilizam", afirmou fonte oficial da Mutualista ao DN/Dinheiro Vivo.

Fonte da CEMG disse ao DN/Dinheiro Vivo que "ao contrário do que tem sido veiculado, José Morgado não se vai demitir".

O impasse deixou aberta uma ferida que coloca de novo o Montepio num caminho de incerteza depois de trimestres de maior acalmia e de um "arrumar de casa".

E volta a pôr em cima da mesa preocupações sobre a política de governo do banco e a real separação entre a CEMG e seu acionista.

Guerra surda

A saída de Félix Morgado da liderança do Montepio tem sido um tema falado e, também público, tem sido o choque existente entre Félix Morgado e Tomás Correia, o primeiro ligado à Opus Dei e o segundo conotado com a Maçonaria.

Certo é que, do seu lado, Félix Morgado tem a "luz verde" dada pelo Banco de Portugal em agosto de 2015 para liderar a CEMG, num mandato cuja prioridade passava por limpar a casa e, sobretudo, melhorar a imagem do banco no mercado e junto dos seus próprios clientes.

Também do seu lado estão os resultados que tem divulgado desde que está à frente do banco, com quatro trimestres sempre com resultados positivos.

O banco passou a ser detido na totalidade pela Mutualista no passado mês de novembro, na sequência da oferta pública de aquisição lançada pelo acionista. O banco deixou de estar cotado em bolsa e o objetivo é poder haver a entrada de um novo acionista no capital do Montepio.

Também em novembro o banco anunciou a venda de 581 milhões de euros de crédito malparado. Em outubro, emitiu obrigações hipotecárias num total de 750 milhões de euros.

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