Experiência e mérito premiados e salários revistos na Sonae MC

Com 70% dos trabalhadores a contrato sem termo, dona do Continente subiu o pacote remuneratório dos seus efetivos para 722 euros e vai distinguir longevidade na empresa

Nos últimos dois anos, a Sonae foi considerada a empresa portuguesa mais atrativa para os jovens talentos. A escolha foi revelada no estudo anual da Spark Agency, em colaboração com a Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho, e coloca a dona do Continente no top 3 geral, a par da Google e da Microsoft. O que é que tem de especial? Muito, a começar pela atenção que dedica aos funcionários e pelo esforço empreendido para que se sintam bem ali, parte de uma família e recompensados pelo trabalho que fazem.

As mais recentes alterações na política remuneratória da Sonae MC, que puseram todos os efetivos acima da fasquia dos 600 euros de remuneração-base, garantem progressão nas carreiras mais longas e continuam a premiar o mérito, fazem parte desse grande plano. Como o fazem as inúmeras iniciativas promovidas pelas marcas do grupo para melhorar as condições oferecidas aos seus trabalhadores, incluindo livros escolares para os filhos de todos os funcionários, alimentação nas lojas durante todo o turno, refeitórios renovados (com produtos do grupo, da Bagga à Go Natural) e descontos especiais em todas as lojas Sonae.

"A nossa política retributiva foi desenhada sem prejuízo das negociações do contrato coletivo do setor, que estão em curso na APED, mas quisemos oferecer esse patamar mínimo aos 70% de colaboradores que temos nos quadros", conta ao DN Isabel Barros, diretora de recursos humanos da Sonae MC. A empresa subiu em janeiro o package salarial dos seus trabalhadores efetivos para 722 euros (vencimento-base de 600 euros, a 14 meses, acrescido de subsídio de alimentação, mais seguros de saúde e de vida), fora variáveis como prémios de produtividade, complementos salariais pagos ao fim de semana e feriados, mas também benefícios como a alimentação gratuita nas lojas. O objetivo é criar um leque de condições e oportunidades que permitam apoiar e incentivar o colaborador, para que ganhe mais e gaste menos, garantindo-lhe assim uma melhor qualidade de vida.

Desta alteração, porém, surgiu uma necessidade paralela: subindo a base salarial de todos, gerara alguma indistinção entre os quadros com um ou dez anos de casa. E a empresa, ainda que continuando a valorizar o mérito na progressão da carreira, quis criar um plano que recompensasse também de alguma forma a antiguidade, trazendo alguma vantagem a quem está na empresa há mais de cinco, dez, 15 anos.

"Sempre defendemos o mérito e a natureza das funções como fator de diferenciação salarial, mas quisemos valorizar a experiência e o know-how acumulado daqueles que estão connosco há mais tempo. É com eles, com o seu contributo, que temos vindo a construir o nosso crescimento, sustentado na expansão e na abertura de novas lojas e na diversificação do portfólio de negócios", esclarece Isabel Barros. Uma evolução na continuidade, uma vez que, segundo a diretora de recursos humanos, mesmo na avaliação corrente de todos os funcionários e na definição das políticas retributivas da empresa já se valoriza, além de comissões de trabalhadores e organizações sindicais, as ideias dos que têm mais de uma década de casa.

Contas feitas, a empresa, que tem no seu portfólio marcas bem conhecidas de todos os portugueses como o Continente, a Wells, ou a Go Natural (ver infografia ao lado), implementou neste ano um aumento salarial médio de 3%, subida que abrange mais de 90% dos empregados do grupo - que no ano passado, com a contratação de mais 1430, atingiu os 30 500 trabalhadores.

Para a gestora, com esta política retributiva das operações de lojas e logística, a Sonae MC conseguirá garantir "um plano de progressão claramente definido" e que funciona tendo por base valores "mínimos de antiguidade", ainda que se considere sempre a avaliação por mérito como o fator verdadeiramente diferenciador para progredir dentro do grupo.

Outras ações

Educação: No âmbito de uma série de apoios familiares, a Sonae garante os livros escolares aos filhos dos seus colaboradores, tendo conseguido uma taxa de reutilização de cerca de 70%, nos dois mil manuais entregues.

Habitação: À semelhança do que acontece no programa de televisão, o grupo criou um movimento de ajuda a funcionários com carências habitacionais. No ano passado, com materiais oferecidos e a intervenção de colaboradores, mudaram a casa a oito colegas.

Solidariedade: O sentimento de pertença é incentivado também fora do grupo. Depois dos fogos, dezenas de voluntários estiveram em Casta-nheira de Pera, inclusive, a plantar hortas e a reconstruir casas.

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Nuno Artur Silva

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