Europeus e americanos. Há seis interessados no Banif

O Banif é liderado desde 2012 por Luís Amado, presidente do conselho de administração do Banif e ex-ministro dos Negócios Estrangeiros do PS, e Jorge Tomé, presidente da comissão executiva

Santander, Popular e Apollo entre os candidatos à compra. Estado em contrarrelógio para concluir venda antes do final do ano

Há seis interessados, europeus e americanos, na compra da participação de 60,5% que o Estado detém no Banif. A garantia foi dada por fonte oficial da instituição financeira liderada por Jorge Tomé ao DN/Dinheiro Vivo, que apurou que os bancos espanhóis Santander e Popular e o fundo norte-americano Apollo são três dos seis candidatos. As negociações já arrancaram e a intenção do governo é concluir a venda antes do final do ano, de forma a evitar as novas regras europeias de resolução bancária.

A resolução nunca esteve em cima da mesa nem foi equacionada

Descartado está qualquer processo de resolução do Banif: "A resolução nunca esteve em cima da mesa nem foi equacionada, além de que não existir qualquer base legal para avançar", afirmou fonte oficial do Banif ao DN/Dinheiro Vivo, assegurando que "a venda da participação está a decorrer. Existem seis candidatos, europeus e americanos". Entre eles estão o Santander e o Popular, que já têm rede bancária em Portugal, e a Apollo, que comprou a Tranquilidade, a seguradora do Novo Banco. Fora da corrida está o Bankinter, que comprou o negócio de retalho do Barclays. Em declaração oficial ao DN/DV, fonte do banco espanhol disse que "o Bankinter não está a considerar a aquisição do Banif".

O cenário de resolução chegou a ser noticiado pela TVI neste fim de semana mas foi pronta e categoricamente desmentido pelo Banif. Em comunicado, o banco afirmou que está em curso "um processo aberto e competitivo de venda da posição do Estado no Banif, no qual se encontram envolvidos diversos investidores internacionais, pelo que qualquer cenário de resolução ou imposição de uma medida administrativa não tem qualquer sentido ou fundamento". Já Jorge Tomé, presidente da comissão executiva, diz que as últimas notícias sobre o banco madeirense são "tendenciosas". "Digo isto porque vem perturbar um processo de venda que está em curso, em que a posição do Estado está a ser vendida. Estas notícias desvalorizam o ativo e quem vai ser prejudicado é o Estado", disse em entrevista à RTP.

O governo também reagiu através do Ministério das Finanças, que confirmou estar "a acompanhar a evolução" do processo de venda e de reestruturação do banco.

Questionada pelo DN/Dinheiro Vivo, a Comissão Europeia diz estar "em contacto estreito e construtivo com as autoridades portuguesas, tanto a nível técnico como político". Apesar de salientar que "não é possível antecipar o resultado ou o prazo para uma decisão", o porta-voz do executivo comunitário para a Concorrência, Ricardo Cardoso, garantiu que "qualquer solução terá de respeitar as leis da UE e assegurar a total proteção dos depósitos garantidos".

Venda em contrarrelógio

Com o aproximar do Natal e do fim de ano, o objetivo do governo passa por concluir a venda da posição no Banif antes do fim de 2015. Isto porque a partir do dia 1 de janeiro entram em vigor novas regras de resolução bancária europeia. Entre outras medidas, a nova diretiva coloca os acionistas no topo da hierarquia das contribuições de uma possível resolução, daí a pressa do Estado em vender os 60,5% que detém no banco. Certo é que o valor da venda deverá ser bastante inferior aos 700 milhões de euros que o Estado injetou na compra. Ao futuro comprador deverá ser exigido o pagamento dos 125 milhões de euros que o banco ainda não devolveu ao Estado e de parte dos 700 milhões que também foram injetados. Além destes últimos fundos públicos, o Banif recebeu um empréstimo de 400 milhões de euros em CoCos (obrigações que podem ser convertidas em capital), dos quais 275 milhões de euros já foram liquidados. A última tranche, de 125 milhões, deveria ter sido paga em dezembro do ano passado, mas não foi. "O único problema do Banif é o pagamento dos 125 milhões ao Estado", garantiu fonte oficial do banco ao DN/Dinheiro Vivo.

No caso de não conseguir vender a participação que detém no banco, o governo deverá avançar com um plano B, que poderá envolver a criação de fundo ou uma sociedade em que seriam colocados os ativos tóxicos para uma venda. Além do imobiliário, o Banif está atualmente a tentar alienar a operação que detém em Malta.

Os sindicatos dos trabalhadores da banca já mostraram preocupação com as notícias em torno do Banif. Ontem, a Federação dos Sindicatos do Setor Financeiro pediu uma reunião com carácter de urgência à administração do banco, para esclarecer a real situação da instituição. Entre o final de 2011 e o primeiro semestre deste ano o Banif perdeu mais de 750 funcionários, uma redução de quase 30%.

Certo é que o cenário de possível resolução acabou por ter impacto nos investidores e depositantes do Banif. Mas se os primeiros continuam a arrecadar perdas, os segundos estão protegidos. "Os depósitos feitos no Banif até um montante de cem mil euros por titular de conta estão salvaguardados pelo Fundo de Garantia de Depósitos", salientou a Deco Proteste, acrescentando: "Em nossa opinião, poderá ainda manter o seu dinheiro nos depósitos." Já no mercado de capitais a história é bem diferente. As ações do Banif fixaram ontem um novo mínimo histórico, em 0,0006 euros, e terminaram a afundar 43%. Na prática, o banco perdeu 27 milhões de euros do seu valor num só dia, estando agora avaliado em 36,5 milhões.

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