Empresas prometem aumentos em 2019 e contratar mais trabalhadores

Gestores afirmam que valorizam desempenho no momento de aumentar salários

Uma grande parte das empresas portuguesas preveem aumentar salários em 2019 e até estão dispostas a abrir mais os cordões à bolsa do que este ano. Mas quando chegar o momento de decidir quanto e quem aumentam vão olhar sobretudo para os resultados individuais de cada trabalhador e para o seu posicionamento na grelha salarial, porque são estes os critérios que mais valorizam. Já a antiguidade de pouco ou nada vale nesta decisão.

O aumento médio dos salários em 2018 rondou os 2% e para o próximo ano os cálculos que as empresas estão a fazer sinalizam subidas entre os 2% e 3%, segundo indica o estudo Total Compensation Portugal 2018, ontem divulgado, realizado pela Mercer junto de 397 empresas que, no seu conjunto, empregam 148 332 pessoas. E neste campeonato das revisões salariais há, claramente, etapas que são mais valorizadas do que outras. Prova disso mesmo é o facto de 86% das empresas considerar os resultados individuais do trabalhador como peça preponderante para o acréscimo de salário.

O posicionamento que o trabalhador ocupa na grelha salarial é relevado, por seu lado, por 68% dos empregadores, enquanto 60% tem em conta os resultados da empresa e 50% aproveita para fazer os aumentos à luz do que passa no mercado - ou seja na concorrência. Entre os fatores que menos influenciam o aumento salarial do trabalhador está a antiguidade (apenas 8% a tem conta) e o nível funcional que este desempenha (25%).

Gestores no topo

Independentemente do que mais pesa nos critérios dos aumentos, o estudo da Mercer mostra que há determinado tipo de funções que vão dar um 'pulo' maior face a 2019 do que outras - ainda que a ordem de grandeza do aumento, em termos absolutos, seja mais baixa. Pelo segundo ano consecutivo, serão os cargos de topo (Administração e Direção Geral) a serem contemplados com o aumento mais generoso. Em 2018, os incrementos salariais rondaram 1,37% e em 2019 deverão avançar 1,85%. Tiago Borges, responsável pela área de Rewards da Mercer /Jason Associates considera que esta evolução se deve ao facto de "as funções de maior nível de responsabilidade serem as mais penalizadas em fases de contração da economia", sendo também "as que recuperam mais rapidamente em períodos de crescimento económico".

O 'bolo' dos aumentos chegará ainda às chefias intermédias (prevendo-se um acréscimo médio de 2,09%), aos administrativos (1,9%), aos operários (2,51%), quadros superiores (3,06%) e diretores de 1.ª linha (1,97%) - sendo que nestas duas últimas tipologias o aumento será mais baixo do que o de 2018. Já os comerciais devem esperar um aumento médio de 2,46%, pouco mais do que este ano.

48% quer contratar

No que a contratações diz respeito, 2019 trará uma ligeira desaceleração no recrutamento de novos trabalhadores. Em 2018 foram 53% as empresas que sinalizaram novas contratações e no próximo ano são 48% as que o pretendem fazer.

A tendência acompanha a tendência que a empresa de recrutamento Manpower tem observado e que no seu outlook para o terceiro trimestre antecipa uma criação líquida de empregos de 15%, sendo que o maior crescimento irá registar-se na hotelaria e restauração.

Em termos de salário base oferecido a quem está a entrar no mercado de trabalho, o estudo da Mercer refere que este se situa este ano entre um mínimo de 14 mil euros e 18 725 euros anuais para os recém licenciados, o que compara com o intervalo entre 13 280 euros e 17 856 observados em 2017.

Entre o tipo de benefícios que, a par do salário, as empresas atribuem aos seus trabalhadores, os seguros de saúde surgem como o mais comum, sendo uma realidade para 94% dos inquiridos, enquanto 43% das empresas afirma atribuir planos de pensões.

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