Empresas portuguesas vão beneficiar do efeito Trump

Manifestação contra Donald Trump na Cidade do México

Câmara de Comércio e Indústria Luso-Mexicana quer aproveitar o fim do acordo de comércio com os EUA para relançar as relações económicas entre os dois países.

O fim do acordo comercial entre os Estados Unidos e o México anunciado por Donald Trump vai beneficiar empresas portuguesas. Quem o diz é a Câmara de Comércio e Indústria Luso-Mexicana (CCILM), que quer aproveitar o chamado "efeito Trump" para relançar as relações económicas entre os dois países.

Nesta semana, a CCILM fez uma sessão de apresentação da candidatura do projeto conjunto de internacionalização, Portugal Connect 2017-2018, no âmbito do Portugal 2020. Uma iniciativa de preparação da missão empresarial portuguesa ao México em julho (em que já estão inscritas 20 empresas) e outra, em setembro, que vai trazer ao país dezenas de empresas mexicanas.

Em entrevista ao DN/Dinheiro Vivo, Miguel Gomes da Costa, presidente da CCILM, começou por admitir que "as relações Portugal-México ainda têm um longo caminho a percorrer" mas "há um potencial muito grande" tendo em conta "a reorientação" da política externa norte-americana, que vai obrigar as empresas a diversificarem os seus mercados.

"Os mexicanos estão a olhar para a Europa de uma maneira diferente e o grande objetivo é não só continuar a levar empresas portuguesas" àquele país como "trazer empresas mexicanas para conhecerem a nossa realidade, aumentar as relações comerciais ou mesmo promover parcerias" entre os dois lados, afirma Miguel Gomes da Costa, lembrando que "o México já é o segundo mercado na América Latina a seguir ao Brasil".

"Em setembro, queremos trazer empresas de média e grande dimensão a Portugal de setores de atividade como a indústria automóvel e componentes, da indústria transformadora, em geral, e da agroindústria ", revelou o presidente da Câmara de Comércio.

Miguel Gomes da Costa salienta as "grandes potencialidades de intercâmbio" tendo em conta que o México "exporta mais produtos transformados de alta tecnologia do que todo o resto da América Latina".

O presidente da CCILM destaca ainda o setor do turismo, "que é uma área que tem sido muito pouco trabalhada e que tem também um potencial muito grande", e o das infraestruturas, em que o governo mexicano definiu um plano ambicioso que abrange rodovias, portos e aeroportos.

Esta é uma área onde a Mota-Engil "está muito bem implantada no México", afirmou Miguel Gomes da Costa, defendendo que é um setor em que podem "entrar mais empresas portuguesas".

Sócios estratégicos

Numa mensagem apresentada no evento desta semana, o embaixador do México em Portugal, Alfredo Pérez Bravo, foi mais longe ao referir-se aos empresários portugueses como "sócios estratégicos".

"Os investimentos portugueses no México têm crescido de modo significativo, com elevados retornos para Portugal" e "as mudanças no cenário mundial aconselham o México a procurar uma maior diversificação das suas relações económicas, e, nessa estratégia, Portugal, os seus empresários e os seus produtos destacam-se como novos sócios estratégicos", afirmou o embaixador mexicano. Alfredo Pérez Bravo aproveitou a ocasião para convidar os empresários portugueses "a manter a sua confiança e a crescer em conjunto com os seus parceiros mexicanos".

O embaixador português no México, Jorge Roza de Oliveira, também não tem dúvidas de que "o México oferece imensas vantagens para as empresas portuguesas em variadíssimos setores: automóvel, aeroespacial, tecnologias de informação, infraestruturas".

Quem também quer aproveitar o "efeito Trump" é a própria União Europeia. A comissária europeia do Comércio e o ministro da Economia mexicano marcaram já duas rondas negociais para abril e junho com o objetivo de "atualizar" o Acordo de Comércio Livre entre a UE e o México. O fluxo anual de mercadorias entre os dois parceiros mais do que duplicou entre 2005 e 2015, chegando atualmente aos 53 mil milhões de euros.

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