Emigrantes tiraram 200 milhões do banco nos meses de verão

As baixas taxas de juro oferecidas e a forte concorrência dos produtos de poupança do Estado
levaram a uma quebra do valor dos depósitos

As remessas de emigrantes para Portugal têm dado sinais positivos. Mas o valor dos depósitos tem encolhido. Entre final de junho e setembro deste ano, o montante de depósitos de emigrantes baixou 199 milhões de euros, segundo dados atualizados pelo Banco de Portugal esta semana. No total, os emigrantes têm 6,92 mil milhões de euros aplicados nestes produtos, o valor mais baixo desde final de 2014. A saída de depósitos é explicada pelos juros baixos destas aplicações e pela concorrência dos produtos de poupança do Estado.

"Não tem havido preferência por depósitos porque a remuneração começou a ser baixa, retirando incentivos para fazer estas aplicações", considera o economista da IMF, Filipe Garcia. No final de setembro, a taxa média para novos depósitos era de 0,25%. Na zona euro, a média é de 0,37% em depósitos até um ano, por exemplo, segundo dados do BCE. As aplicações a mais de dois anos pagam 0,73%.

Além dos juros baixos, os depósitos ressentiram-se também com a concorrência dos produtos do Estado. Em julho, o Tesouro lançou uma obrigação do Tesouro de rendimento variável (OTRV) que angariou 1,2 mil milhões de euros e atraiu quase 70 mil investidores. Pagava um juro de 1,60%. Além destes títulos também os certificados do Tesouro têm taxas mais elevadas do que os depósitos. "Há uma preferência por produtos de poupança do Estado", diz Filipe Garcia. Já em 2016 se tinha assistido a uma saída de depósitos por parte de emigrantes no verão, altura em que o Tesouro tinha também lançado uma OTRV.

Apesar da tendência de saída de depósitos de emigrantes, as remessas apresentam valores positivos. Esta semana, o Eurostat revelou que as remessas de emigrantes portugueses foram as maiores da União Europeia em 2016, situando-se em 3,34 mil milhões de euros. Mas nem assim o valor dos depósitos de emigrantes aumentou, tendo tido uma queda de mais de 50 milhões de euros no ano passado.

O economista do Montepio, Rui Serra, explica que "parte das remessas poderá ter sido utilizada na aquisição de bens e serviços em Portugal, ficando apenas num curto espaço de tempo em depósitos". E considera que "no quadro das baixas taxas de juro dos depósitos bancários (em resultado dos mínimos históricos das taxas de juro do BCE), é provável que possam ter sido direcionadas para outros ativos".

Além dos produtos de poupança do Estado, o imobiliário é outro dos setores apontados como destino do dinheiro dos emigrantes, referem Filipe Garcia e Rui Serra. O economista do Montepio explica que "as subidas dos preços das casas e das transações refletem uma melhoria geral da procura, que poderá ser também de emigrantes" portugueses. Outra das apostas dos emigrantes pode passar, segundo Rui Serra, pelo investimento em ações e obrigações de empresas portuguesas, já que, lembra, "a melhoria das perspetivas para a economia portuguesa também concorre para uma maior alocação em ativos com risco".

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