Em 2030, 1% da população será dona de dois terços de toda a riqueza do mundo

Com as desigualdades a acentuar-se e uma cada vez mais gorda fatia da riqueza a ser gerada sem produção de bens, o cenário é cada vez mais negro. E deverá arrastar uma contestação dramática

Não passaram ainda três anos desde que o Crédit Suisse divulgou o seu relatório sobre a riqueza mundial indicando que os 1% mais ricos do mundo eram donos de tanto quanto os outros 99%. Ou seja, tendo por base 4800 milhões de adultos de mais de 200 países, concluía aquela reduzida fatia de super e ultra-ricos (respetivamente, os que acumulam fortunas superiores a 45 mil milhões e 450 mil milhões de euros) tinham tanta riqueza quanto todas as outras pessoas do mundo juntas. A recuperação dos mercados financeiros, com as principais bolsas mundiais a crescer rapidamente, ajudara até a aumentar o número de ultra-ricos, cerca de 75 mil pessoas cujas fortunas estão sobretudo sediadas nos Estados Unidos, na China e no Reino Unido.

De 2015 para cá, o fosso tem vindo a aprofundar-se e um novo estudo promovido pelo parlamento britânico, citado pelo The Guardian, aponta agora para um futuro próximo em que as desigualdades estão mais acentuadas do que nunca: os 1% mais ricos do mundo serão donos de dois terços de toda a riqueza, sobrando um terço para dividir pelos restantes 99%.

A manter-se a tendência que se tem verificado desde 2008, a riqueza daquele 1% continuará a crescer a um ritmo de 6% ao ano, o dobro da velocidade do crescimento da riqueza dos restantes 99%, até dominarem uma fortuna total de 250 biliões de euros (hoje são 115 biliões). Riqueza que maioritariamente não depende da produção de bens - ao contráro do que acontecia na era industrial - mas antes de rendimentos desmaterializados decorrentes de juros, rendas, dividendos, etc.

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