Economia mundial está melhor mas não chega para melhorar a vida das pessoas

"É preciso uma abordagem integrada para fazer com que todo o sistema trabalhe melhor para mais pessoas", disse a OCDE

A OCDE reconhece que a economia mundial melhorou no último ano, mas alerta que "a ainda modesta expansão não está suficientemente robusta" para garantir uma melhoria duradoura no produto potencial nem para reduzir as desigualdades que persistem.

No relatório hoje apresentado em que atualiza as projeções económicas, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) refere que o Produto Interno Bruto (PIB) 'per capita' dos 35 países da instituição "continua mais de 0,5 pontos percentuais mais fraco" do que nos 20 anos que precederam a crise.

Isto significa que "a perspetiva para o crescimento mundial está melhor, mas não o suficiente para melhorar de forma sustentável o bem-estar dos cidadãos".

O investimento "tem sido um apoio ausente ao crescimento global, ao comércio, à produtividade e aos salários reais" e, ainda que as perspetivas para esta componente do produto "estejam melhores", a OCDE considera que há "reservas quanto à permanência e à clareza dos sinais" que têm sido dados.

Quanto ao emprego, a OCDE alerta que, apesar de ter recuperado "relativamente bem nos anos recentes", há dimensões - como o número de horas de trabalho e os empregos a tempo parcial - em que "a qualidade do emprego é mais precária".

Além disso, "a produtividade e os salários reais divergem, havendo uma grande diferença entre a elevada produtividade das empresas globalizadas e o resto".

Neste sentido, a conclusão é que, ainda que a nível macro as perspetivas e os resultados do mercado de trabalho estejam melhores, "os fundamentos para um consumo robusto e um bem-estar partilhado são menos evidentes".

Sublinhando também que o comércio internacional "reavivou-se no ano passado", mas que "continua menos forte do que nas décadas antes da crise", a OCDE refere que "a viragem cíclica da economia global ainda não está assegurada".

Do mesmo modo, também "uma maior produtividade, uma maior inclusão e um sistema internacional não discriminatório necessários para melhorar o bem-estar de todos" estão por garantir, pelo que "os legisladores não podem ser complacentes".

Na frente orçamental, a OCDE destaca que "as medidas que mitiguem as fontes de desigualdade têm benefícios de longo prazo para as pessoas, para as regiões e para os próprios orçamentos", defendendo que "a educação, o cuidado infantil, a formação e a mobilidade" podem ajudar a resolver este problema e que é preciso apostar em "investimento público em investigação e infraestruturas, que foram particular e duramente afetados durante a crise financeira".

A OCDE reconhece que cada país tem o seu próprio conjunto de políticas para impulsionar a produtividade, o emprego e a inclusão, mas recorda que estas opções interagem com "a natureza e o grau de cooperação económica internacional que afeta as empresas e os cidadãos".

Por isso, "é preciso uma abordagem integrada para fazer com que todo o sistema trabalhe melhor para mais pessoas".

Isto porque "melhores escolhas a nível orçamental, monetário, estrutural e internacional vão melhorar o bem-estar dos cidadãos de cada país, mas também ter efeitos de contágio para melhorar o desempenho de outros, aumentando a probabilidade de a atual melhoria económica se reforçar".

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