Habitantes de aldeia espanhola garantem que dono da Corona não lhes deixou 170 milhões

O empresário morreu em agosto e deixou uma fortuna à família

Os habitantes da aldeia onde nasceu e cresceu o proprietário da empresa que produz a cerveja Corona garantem que Antonino Fernández não deixou uma herança de quase 170 milhões de euros a Cerezales del Condado, ao contrário do que tinha sido noticiado. Mas não deixam de elogiar todo o dinheiro que o milionário investiu na localidade ao longo dos anos.

Segundo a Fundação Cerezales Antonino y Cinia, a fortuna de Antonino Fernández, que morreu em agosto aos 98 anos, não será distribuída pelos habitantes da aldeia. Uma porta-voz disse ainda que não sabia como tinham surgido os rumores.

Fernández cresceu em Espanha e apenas se mudou para o México quando já tinha 32 anos. Com 12 irmãos, viveu com dificuldades financeiras e aos 14 anos abandonou os estudos para ajudar os pais no trabalho agrícola.

Aos 32 anos, em 1949, aceitou um convite de um tio da mulher e mudou-se para o México, para trabalhar no armazém do Grupo Modelo, do qual se tornou presidente executivo em 1971. Grande responsável pelo sucesso da cerveja Corona, Antonino Fernández manteve-se na administração da empresa até 2005, ano em que a entregou ao sobrinho, Carlos Fernández González.

A Corona é é a segunda cerveja mais importada nos Estados Unidos, com vendas anuais na ordem dos 650 milhões de euros.

Notícia corrigida. A Fundação Cerezales Antonino y Cinia informou que a fortuna de Antonino Fernández foi deixada à família, em testamento

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