Deutsche Bank vai cortar 35 mil empregos e fechar em dez países

O banco alemão está a ser reestruturado. Portugal não deverá ser afetado

O Deutsche Bank anunciou hoje que vai despedir 9000 trabalhadores, cortar 6000 contratados (externos) e ainda alienar negócios que empregam 20 mil pessoas, no âmbito de uma profunda reestruturação no seio do maior banco alemão. No entanto, fonte da sucursal portuguesa disse à TSF que a estratégia em Portugal não deverá ser alterada.

O novo copresidente da instituição financeira, John Cryan, fez este anúncio na apresentação dos resultados do grupo que, entre janeiro e setembro, obteve prejuízos recorde de 4647 milhões de euros, face a um lucro de 1250 milhões de euros no mesmo período do ano anterior.

John Cryan, que fez a sua primeira aparição pública após ter sido empossado, afirmou que para voltar à senda dos "lucros sustentáveis" no Deutsche Bank, deve-se "tomar decisões duras" em matéria laboral. "A nossa casa deve voltar a ser atrativa para os clientes, os acionistas e os trabalhadores", adiantou.

Além dos 9000 despedimentos anunciados, outros milhares de pessoas deverão sair da empresa visto que esta vai alienar vários dos seus negócios. A BBC avança que, incluindo os 9000 despedimentos diretos, o Deutsche Bank vai perder até 35 mil funcionários.

O copresidente não entrou em detalhes sobre os despedimentos e não explicou que regiões ou divisões do banco vão ser afetadas com esta medida. No entanto, fonte do banco em Portugal disse à TSF que, visto que nos últimos oito anos os resultados foram positivos em Portugal. No país, o banco emprega 450 pessoas em 55 balcões.

O objetivo principal do banco alemão na nova era, segundo o copresidente, é voltar a ser uma instituição financeira "íntegra e fiável" com "lucros sustentáveis" que correrá menores riscos e elevará os seus 'standards' de capital.

"O Deutsche Bank não tem nenhum problema de estratégia. Sabemos muito bem para onde queremos ir", afirmou John Cryan, que reconheceu problemas na implementação das últimas reestruturações do grupo bancário.

Os resultados dos próximos exercícios serão negativamente afetados pela reestruturação do grupo, sendo que 2018 será um "ano decisivo" para o banco, explicou Cryan.

Os maus resultados do Deutsche Bank no terceiro trimestre de 2015, devem-se em grande medida a depreciações de 5.800 milhões de euros na banca de investimento.

O novo copresidente do Deutsche Bank classificou os resultados como "absolutamente dececionantes".

Os prejuízos antes de impostos até setembro foram de 3.393 milhões de euros, face a um lucro antes de impostos de 2.864 milhões de euros no mesmo período do ano anterior.

O Deutsche Bank anunciou que, devido aos prejuízos e à profunda reestruturação que planeia, não prevê pagar dividendos aos acionistas nem este ano nem no próximo exercício, uma medida que a instituição financeira nunca tomou desde os anos 50.

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