Deutsche Bank condenado a multa recorde de 14 mil milhões de dólares

Em causa está um litígio imobiliário desencadeado no início da crise financeira em 2008

A cotação das ações do Deutsche Bank está a cair 8% na Bolsa de Frankfurt, depois do Departamento de Justiça norte-americano ter aplicado uma multa recorde, de 14.000 milhões de dólares, ao maior banco alemão.

Depois de se ter desvalorizado quase 8% pouco logo depois da abertura, os 'papéis" do maior banco alemão já cediam 8,05% para 12,05 euros às 11:14 em Lisboa, na sequência do pedido da justiça norte-americana de uma multa recorde de 14 mil milhões de dólares para saldar o litígio imobiliário desencadeado no início da crise financeira em 2008.

O banco já anunciou que "não tenciona saldar os potenciais pedidos civis que totalizam cerca de 14 mil milhões de dólares.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos convidou o banco alemão a apresentar uma contraoferta, precisou o Deutsche Bank, sublinhando que as negociações "apenas acabam de começar".

O banco norte-americano Goldman Sachs pagou uma multa de 5,06 mil milhões de dólares em abril último por um caso similar.

O Deutsche Bank é acusado, como outros grandes bancos, de ter vendido a investidores antes do início da crise financeira de 2007/08 empréstimos hipotecários residenciais, que são créditos convertidos em produtos financeiros, sabendo que os mesmos eram tóxicos.

A denominada 'titulação', tática, utilizada abundantemente pelos grandes bancos para converter carteiras de empréstimos em títulos financeiros que cedem depois nos mercados, é considerada a responsável pelas perdas registadas em 2008 por numerosos investidores, incluindo os que compraram os títulos associados às famosas "'subprimes'".

O Deutsche Bank constituiu provisões de 5,5 mil milhões de euros (6,2 mil milhões de dólares) em 30 de junho último para resolver litígios em curso, segundo documentos bolsistas.

Exclusivos

Premium

história

A América foi fundada também por angolanos

Faz hoje, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.