Depósitos com juros de 1,8% utilizados como engodo

Há depósitos a prazo a render juros de 1,8% mas, segundo a Deco, podem não ser a melhor opção para investir as poupanças

Na era do zero à esquerda, é preciso pensar duas vezes antes de aplicar as poupanças no banco. A taxa de remuneração dos depósitos a prazo nunca esteve tão baixa. Segundo o último boletim estatístico do Banco de Portugal, um depósito rendia em média 0,34% em dezembro do ano passado. Um valor muito abaixo da inflação prevista para este ano em Portugal, que segundo as estimativas do governo rondará 1,5%, depois dos 1,3% registados em janeiro. O que significa que cada euro aplicado em depósitos vai perder valor na economia real.

Ainda assim, uma ronda pelo catálogo dos bancos que operam em Portugal permite verificar que existem instituições a oferecer taxas de remuneração de 1,8% nos depósitos a prazo. São sobretudo bancos online ou de menor dimensão, e a taxa máxima aplica-se em depósitos com prazo de três meses. Será que vale a pena investir? Não sem antes olhar para os asteriscos: "Este tipo de produtos geralmente destina-se apenas a novos clientes ou a novos montantes. São taxas promocionais que funcionam como chamariz", explica ao DN/Dinheiro Vivo António Ribeiro, economista da Deco. A posição é reforçada por Eduardo Silva, gestor da consultora XTB. "O banco assume um custo inicial maior, com a expectativa de vender produtos mais lucrativos no futuro. São produtos de engodo, sem interesse no longo prazo, e não devem ser considerados quando decidimos com que instituição queremos trabalhar", diz.

Na maior parte dos bancos, a remuneração cai para valores próximos de 0,5% quando o depósito é renovado. "Antes de optar por esses produtos é importante ver quais as taxas de juro praticadas na instituição. Neste momento achamos que o mais aceitável é optar por um depósito com prazo de um ano, já que há bancos a oferecer juros de 1,3%", observa o economista da Deco.

O BNI Europa é o único banco com atividade em Portugal que oferece uma taxa de 1,8% num depósito a cinco anos. Mas também aqui os especialistas continuam de pé atrás. "Não recomendamos depósitos com um prazo tão longo. As taxas estão muito baixas e é provável que venham a subir dentro de um ano ou dois, e nessa altura o mercado terá ofertas bem mais interessantes", destaca António Ribeiro. O gestor da XTB corrobora. "Resgatar estes depósitos antes do prazo resulta em penalizações proibitivas. Pode implicar a liquidação ou a perda total dos juros. É um compromisso pouco interessante. O investidor tem de ter a certeza de que não vai precisar do capital", explica.

Apesar do contexto adverso, a associação de defesa do consumidor continua a recomendar a aposta em depósitos. "Deve ter-se sempre um montante em ativos líquidos e de capital garantido. Quanto mais não seja um fundo de maneio para fazer face a imprevistos, em produtos facilmente transformáveis em dinheiro. Os depósitos são a primeira opção porque são a mais simples", conclui.

No final de 2016, os portugueses tinham 142 mil milhões de euros aplicados em depósitos.

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João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.