Défice das contas externas agrava-se para 78 milhões de euros até março

O Banco de Portugal refere que no primeiro trimestre do ano o saldo conjunto das balanças corrente e de capital fixou-se em -78 milhões de euros, comparando com -67 milhões de euros em 2017

Portugal registou um défice nas contas externas de 78 milhões de euros no primeiro trimestre deste ano, pior do que no mesmo período de 2017, divulgou hoje o Banco de Portugal (BdP).

"No primeiro trimestre do ano, o saldo conjunto das balanças corrente e de capital fixou-se em -78 milhões de euros, o que compara com -67 milhões de euros em igual período de 2017", refere o BdP numa nota divulgada esta segunda-feira.

Até março, a balança corrente obteve um défice de 408 milhões de euros, melhor do que o saldo negativo de 471 milhões de euros registado no mesmo período do ano passado

No entanto, o défice das contas externas melhorou face ao mês anterior: em fevereiro o saldo conjunto das balanças corrente e de capital representava 498 milhões de euros, em termos acumulados.

Até março, a balança corrente obteve um défice de 408 milhões de euros, melhor do que o saldo negativo de 471 milhões de euros registado no mesmo período do ano passado, e a balança de capital teve um excedente de 330 milhões de euros, inferior ao de 404 obtido no primeiro trimestre de 2017.

Para o agravamento de 11 milhões de euros no saldo conjunto das balanças corrente e de capital "contribuíram a balança de bens, a balança de rendimento secundário e a balança de capital", explica o banco central.

Até março, as exportações de bens e serviços cresceram 4,5%, ficando abaixo dos 5,9% registados nas importações

"Comparando com igual período de 2017, a balança de bens e a balança de serviços tiveram evoluções distintas, com a primeira a aumentar o défice em 627 milhões de euros e a segunda a aumentar o excedente em 341 milhões de euros, essencialmente devido à rubrica de viagens e turismo, cujo saldo passou de 1.270 milhões para 1.583 milhões", refere o BdP.

O banco central recorda que, até março, as exportações de bens e serviços cresceram 4,5% (3,3% nos bens e 7,3%), ficando abaixo dos 5,9% registados nas importações (6,7% nos bens e 2,2% nos serviços).

Já o défice da balança de rendimento primário diminuiu 437 milhões de euros para 379 milhões de euros, "sobretudo devido à antecipação de rendimentos de investimento recebidos do exterior".

No primeiro trimestre, o saldo da balança financeira registou um aumento dos ativos líquidos de Portugal face ao exterior no valor de 30 milhões de euros, uma subida que resultou, "essencialmente, do investimento em títulos de dívida emitidos por entidades não residentes por parte das sociedades de seguros e dos bancos residentes em Portugal".

No entanto, "este aumento foi contrabalançado pela aquisição de títulos de dívida pública por não residentes e pelo aumento de passivos do TARGET [responsabilidades líquidas do sistema do euro] do Banco de Portugal".

Em março, o investimento efetuado pelos bancos portugueses "influenciou fortemente a balança financeira", que apresentou neste mês um saldo positivo de 895 milhões de euros.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

Os irados e o PAN

A TVI fez uma reportagem sobre um grupo de nome IRA, Intervenção e Resgate Animal. Retirados alguns erros na peça, como, por exemplo, tomar por sério um vídeo claramente satírico, mostra-se que estamos perante uma organização de justiceiros. Basta, aliás, ir à página deste grupo - que tem 136 000 seguidores - no Facebook para ter a confirmação inequívoca de que é um grupo de gente que despreza a lei e as instituições democráticas e que decidiu fazer aquilo que acha que é justiça pelas suas próprias mãos.

Premium

Margarida Balseiro Lopes

Falta (transparência) de financiamento na ciência

No início de 2018 foi apresentado em Portugal um relatório da OCDE sobre Ensino Superior e a Ciência. No diagnóstico feito à situação portuguesa conclui-se que é imperativa a necessidade de reformar e reorganizar a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), de aumentar a sua capacidade de gestão estratégica e de afastar o risco de captura de financiamento por áreas ou grupos. Quase um ano depois, relativamente a estas medidas que se impunham, o governo nada fez.