Das '50 Sombras de grey' para o mundo da hotelaria

Sucesso à portuguesa - Boca do Lobo

Peças de mobiliário exclusivas e extravagantes, obras de arte que embelezam mansões da família real na Arábia Saudita e de artistas como John Legend ou Beyoncé. Foi o cenário que atraiu a Universal Pictures a usar algumas peças da portuguesa Boca do Lobo na adaptação ao cinema do best-seller As Cinquenta Sombras de Grey, e na sequela As Cinquenta Sombras mais Negras. A fama mundial "não mudou, em nada, as nossas crenças ou valores", garante Amândio Pereira, CEO do Covet Group, que detém a marca. O filme agora é outro: a entrada no mundo da hotelaria, desenvolvendo projetos de guest houses . Ao mesmo tempo prepara a construção de uma Covet Town, um "polo industrial à moda antiga" em que admite investir 25 milhões de euros.

O Covet Group nasceu a partir da Boca do Lobo, mas é hoje a holding de 20 negócios distintos, desde o design, criação e produção de marcas de mobiliário e iluminação, tais como Brabbu, Circu, Delightfull, Essencial Home, Luxxu, Maison Valentina ou Monsyeur. Projetos distintos que têm no design exclusivo e diferenciador o seu elemento central. Um projeto de Amândio Pereira e Ricardo Magalhães, que hoje dá emprego a meia centena de pessoas e que está em fase ativa de contratação de mais 200. A produção é totalmente made in Portugal e o grupo conta com escritórios e showrooms em Inglaterra (Londres) e nos Estados Unidos (Virgínia), além de Gondomar, onde uma moradia de frente para o rio Douro foi transformada numa imensa mostra das marcas do grupo.

"Aqui, os nossos clientes conseguem obter o enquadramento, o mais real possível, das nossas peças, em ambiente de lar", explica Amândio Pereira, que vive e trabalha nesse espaço quando está em Portugal. A maior parte do tempo vive nos EUA. E acaba de adquirir mais dois terrenos contíguos à propriedade, ficando com uma frente ribeirinha de 1,2 km, onde espera desenvolver um projeto turístico promocional que sirva para testar o conceito Covet Guesthouse que espera, mais tarde, alargar pelo mundo. "Se nos aparecesse um parceiro com know-how disposto a partilhar deste projeto, era o ideal. Se não houver ninguém, arriscamos nós", garante o empresário, que aponta como timing de concretização da ideia o ano de 2020, quando espera faturar cem milhões de euros. A partilha de responsabilidades e de resultados é uma das grandes apostas do grupo. "O Marco Costa entrou, há oito anos, como estagiário. Hoje, gere o negócio Boca do Lobo. E cada uma das outras marcas tem um responsável direto, aos quais abrimos o capital da empresa, numa lógica de partilha de resultados. E fazemo-lo transversalmente."

Referências do design no mundo do mobiliário e decoração, os artigos Boca do Lobo estão presentes em 80 países; diariamente, a marca "trabalha, ativamente, 35 mercados", com especial destaque para o Reino Unido e os EUA, Europa, Canadá, China, América Latina e Emirados Árabes Unidos. O futuro passa por abordar o negócio, cidade a cidade, com escritórios ou guesthouses nas principais capitais do mundo. Aliás, a comunicação é a grande arma da Boca do Lobo, admite Amândio Pereira, que conta com uma equipa de 60 pessoas que estão, todos os dias, a escrever em blogues. Além da revista CovetED Magazine que edita e distribui em mais de 20 países.

Mas é no saber fazer dos artesãos portugueses que reside o sucesso da Boca do Lobo. "Preservar para as gerações futuras artes que estão em vias de extinção" é o objetivo que preside à decisão de construir um polo industrial que junte num mesmo espaço - 50 mil metros quadrados de construção, com muita área verde - todas as suas valências. O terreno está negociado e o objetivo é manter a empresa em Gondomar, mas há condicionantes de licenciamento a ultrapassar. Um polo que, além do complexo fabril, terá habitação, supermercado e ginásio, entre outras valências. Uma garantia de que, no futuro, a Boca do Lobo irá continuar a produzir obras de arte.

B.I. - Covet Group

A Boca do Lobo é, provavelmente, a marca portuguesa de mobiliário mais conhecida do mundo, embora o Grupo Covet tenha mais oito marcas. São verdadeiras obras de arte com preços que vão dos 1100 euros a meio milhão de euros, o custo do cofre Millionaire, em chapa de ouro. Uma peça simbólica, apenas, já que ainda ninguém a comprou.

Atividade - Mobiliário e iluminação

Tempo atividade - 12 anos

Faturação - 30 a 32 milhões esperados neste ano

Número de empregados - 500

Endereço - Rua Particular de Regueirais, Rio Tinto

E-mail - info@meninadesign.pt

Acionistas - Amândio Pereira e Ricardo Magalhães

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