CMVM questiona avaliação do revisor da Yupido

A empresa com um capital social de 29 mil milhões está na mira das autoridades, que estão a averiguar a sua legalidade

A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) foi a mais recente autoridade a assumir que está a avaliar o caso da Yupido. O DN/Dinheiro Vivo sabe que a CMVM está a trabalhar com a Ordem dos Revisores Oficiais de Contas para analisar a atuação de António Alves da Silva, o revisor que avaliou o ativo que elevou o capital social da empresa a valores estratosféricos.

A Yupido foi constituída em 2015 com um capital social de 243 milhões de euros. Menos de um ano depois, fez um aumento de capital para perto dos 29 mil milhões com a apresentação de um bem em espécie, avaliado por Alves da Silva, a justificar essa valorização. O ativo em causa, segundo os documentos oficiais da empresa, trata-se de uma "plataforma digital inovadora de armazenamento, proteção, distribuição e divulgação de todo o tipo de conteúdo media", que se destaca "pelos algoritmos que a constituem".

António Alves da Silva, respeitado entre os pares e com uma experiência profissional de mais de 50 anos, assume total responsabilidade pela sua avaliação, que considera ser conservadora. Ao Observador, o revisor assegurou que o valor atribuído será "irrisório", caso a tecnologia da Yupido se efetive.

Ao DN/Dinheiro Vivo, fonte da CMVM indicou que o organismo é responsável pelo acompanhamento das atribuições e competências do revisor em causa e que, por isso, "estão já e vão ser desenvolvidas as ações e diligências adequadas".

Mas o atual capital social da Yupido não é o único detalhe inusitado acerca da empresa: também tem suscitado dúvidas a sua real área de atuação, uma vez que a descrição dos documentos oficiais menciona um vasto leque de atividades como consultoria tecnológica, contabilidade, venda de publicidade ou edição de livros, jornais e revistas. O facto de não ter qualquer funcionário e ainda os 243 milhões de euros, apresentados aquando da constituição da sociedade. O valor em causa foi contabilizado maioritariamente em espécie, através de um software inovador "de gestão para empresas, que funciona em multiplataformas". Em numerário foram apresentados apenas 35 mil euros. Contudo, no final do ano, os 243 milhões já contam, na sua totalidade, como dinheiro em caixa, em depósitos bancários.

Cláudia Alves e Torcato Jorge são dois sócios maioritários que, até ao momento, ainda não deram a cara, de forma pública, para esclarecer todas as dúvidas. Para além dos dois, na constituição da sociedade aparecem também Filipe Besugo e os advogados da Pares Associados Tiago Gama e Sofia Asseiceiro, que também não vieram a público prestar qualquer esclarecimento. A comunicação da Yupido à imprensa tem sido feita através de um porta-voz que assegura a "origem legal" da empresa.

A Polícia Judiciária confirmou ao DN/Dinheiro Vivo que está a efetuar diligências para averiguar a legalidade de toda a situação, avançando que, de momento, ainda não pode divulgar uma atualização oficial do processo.

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