China vai deixar de importar lixo em 2018

A China vai deixar de importar lixo do estrangeiro a partir do final deste ano, anunciou esta quinta-feira o ministério chinês de Proteção Ambiental, visando combater os danos para o ambiente e a saúde pública.

O país asiático começou a importar resíduos sólidos para reciclar nos anos 80, criando um fornecimento extra de metais e materiais que faltavam no mercado doméstico.

O Governo diz agora que os problemas criados pela importação de lixo ultrapassam em muito os benefícios.

"O problema do lixo estrangeiro é abominado por toda a gente na China", disse Guo Jian, um funcionário encarregue da cooperação internacional no ministério de Proteção Ambiental.

A China já informou a Organização Mundial do Comércio que vai banir a importação de lixo, incluindo plásticos, papel e tecido.

Em 2015, a China importou mais de 46 milhões de toneladas de lixo, segundo dados oficiais.

A imprensa chinesa nota, no entanto, que a quantidade é "provavelmente muito maior", visto que muito do lixo entra no país de forma ilegal.

"Alguns comerciantes sem escrúpulos, na China e lá fora, importaram ilegalmente e transportaram lixo estrangeiro", que "causou problemas ambientais sérios e deve ser tratado com rigor", afirmou Guo Jian.

Décadas de acelerado crescimento económico causaram sérios problemas ambientais na China, com as principais cidades do país a serem frequentemente cobertas por um manto de poluição e parte dos solos contaminados.

As autoridades chinesas têm tido dificuldades em processar o lixo gerado internamente, em resultado da rápida urbanização do país e aumento dos índices de consumo.

Em dezembro passado, um deslizamento de terras num parque industrial em Shenzhen, o centro da indústria tecnológica da China, situado na província de Guangdong, que confina com Macau e Hong Kong, resultou na morte de 70 pessoas e enterrou 33 edifícios.

O acidente deveu-se à excessiva acumulação ilegal de resíduos de construção em montes com 100 metros de altura.

O Governo de Shenzhen admitiu, na altura, as dificuldades em processar os 30 milhões de metros cúbicos de entulho que a cidade gera anualmente.

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