Centeno: "Todos temos questões" sobre orçamento italiano

Na primeira reunião formal do Eurogrupo com todos os países livres da intervenção externa da troika, as preocupações voltam-se agora para um peso pesado, da economia europeia.

A poucos dias de serem divulgados os planos orçamentais para o próximo ano, é Itália que está debaixo dos holofotes, com "todos" os ministros do Eurogrupo preocupados com a possibilidade do governo italiano aliviar a austeridade a que se comprometeu no pacto orçamental.

"Todos temos questões sobre o processo orçamental italiano. Há questões que se levantaram após sabermos a trajetória para o défice proposta pelo governo italiano", reconheceu o presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, à entrada para a reunião que decorre esta tarde, na cidade do Luxemburgo.

Centeno salientou porém que, nesta altura, ainda "não há submissão de um documento formal, com todo o detalhe que estas questões obviamente necessitam para serem esclarecidas [e] uma avaliação completa desta questão requer conhecimento completo da informação orçamental. Portanto, vamos ter que esperar".

Entretanto, o ministro italiano das Finanças, Giovanni Tria chegou dando a garantia de que vai "explicar o que está a acontecer e o que vão fazer", por isso, relativamente aos seu parceiros na reunião espera "que estejam tranquilos".

Em Itália, com as pressões da ala populista, o governo italiano prepara-se para apresentar um orçamento com um défice de 2,4 por cento, no próximo ano, mantendo a mesma estimativa para 2020. Mas, com a mais alta divida pública da União Europeia, o compromisso em Bruxelas, para que o défice não ultrapasse os 0,5%.

O Comissário dos Assuntos Económicos e financeiros, Pierre Moscovici sugere ao governo italiano que "diga a verdade aos eleitores", nomeadamente que "há mais despesa pública". Para Moscovici, o aumento da despesa "pode tornar [os partidos do governo] mais populares durante algum tempo, mas depois, no final, quem paga?", questionou, deixando ainda um aviso.

"A comissão vai ativar todos os seus poderes, não para impor austeridade, porque não somos pró-austeridade, apenas para defender o interesse de Itália e o interesse europeu", assegurou.

Em Bruxelas

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