Centeno acredita em acordo preliminar sobre fundo dos bancos no final deste mês

Presidente do Eurogrupo lembrou o "apoio alargado" para atribuir ao mecanismo europeu um novo instrumento para financiar o Fundo Único de Resolução Bancária

O presidente do Eurogrupo e ministro das Finanças de Portugal, Mário Centeno, defendeu esta segunda-feira, em Lisboa, a possibilidade de ser concluído no final deste mês, antes do previsto, o acordo preliminar europeu sobre o fundo dos bancos.

"A minha expetativa é que no final deste mês possamos afirmar um acordo de princípio", afirmou o ministro, numa conferência em Lisboa, adiantando que este "será apenas um passo" mas, na sua opinião, é um passo que "vai mudar a forma como os investidores avaliam o risco".

No último mês os ministros das Finanças da União Europeia chegaram a acordo sobre as regras a seguir pelos bancos para manterem instrumentos - incluindo o mecanismo europeu - que garantem que os investidores participam em caso de resgate, partilhando assim riscos.

Mário Centeno, na sua intervenção, lembrou o "apoio alargado" para atribuir ao mecanismo europeu um novo instrumento para financiar o Fundo Único de Resolução Bancária ('backstop'), um instrumento de último recurso para um cenário de crise sistémica.

"É uma peça importante da União Bancária. Neste momento falta afinar apenas alguns detalhes nas negociações", ressalvou o presidente do Eurogrupo, depois de anunciar que a data de introdução desta 'backstop' poderá ser antes da data limite, estabelecida em 2016, para 2024.

Também presente na conferência, o presidente do Mecanismo de Europeu de Estabilidade (MEE), Klaus Regling, apresentou mais uma vez Portugal como um dos "bons exemplos" da estratégia europeia de combate à crise, e defendeu que atualmente em Portugal "as pessoas sorriem mais agora do que há três anos".

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.