Carlos Ghosn demitido da presidência da Nissan

Conselho de administração ditou ainda o afastamento de Greg Kelly, executivo sénior da empresa. Os dois homens estão detidos em Tóquio

O conselho de administração da Nissan votou a favor da demissão de Carlos Ghosn, o atual presidente da empresa, após este ter sido detido por suspeitas de má conduta financeira e declarar um salário menor do que aquele que ganhava. Segundo a comunicação social japonesa, Ghosn foi acusado pela Nissan de usar os ativos da empresa para uso pessoal, nomeadamente na compra de casas de luxo em quatro países.

A votação ditou ainda o afastamento de Greg Kelly, executivo sénior da Nissan, segundo o jornal Nikkei. Os dois homens estão detidos em Tóquio.

Apesar das suspeitas, e segundo a BBC, a demissão do empresário franco-brasileiro de origem libanesa, é uma estratégia da da empresa para reequilibrar o poder da sua aliança com a Renault e a Mitsubishi, empresas de que Carlos Ghosn também é presidente. A união das três empresas foi uma decisão tomada pelo empresário de 64 anos.

A Nissan acusa Ghosn de "atos significativos de má conduta", além de ter usado, para fins pessoais, ativos da empresa.

Esta segunda-feira, a empresa anunciou que está a conduzir uma investigação interna há vários meses, depois de uma denúncia. Greg Kelly terá estado "profundamente envolvido" na má conduta de Ghosn.

Os dois são acusados de conspirar para esconder a real a remuneração daquele que era até agora presidente da empresa. O crime terá sido cometido a partir de 2010. A pena pode ir até aos 10 anos de prisão ou a uma multa de 10 milhões de ienes, ou até ambos.

A estação de televisão NHK revelou, citando fontes anónimas, que a Nissan gastou milhões de dólares em casas de luxo em quatro países, sem qualquer razão comercial legítima. Outros milhões de dólares foram gastos para comprar e renovar as casas de Carlos Ghosn no Brasil, no Líbano, em França e na Holanda.

Segundo a agência de notícias japonesa Kyodo o presidente executivo da Nissan, Hiroto Saikawa, irá assumir o cargo de presidente interino, enquanto a Mitsubishi Motors vai marcar uma reunião para discutir o papel de Ghosn na empresa.

A Renault também nomeou um vice-presidente executivo temporário para assumir o comando da empresa de automóveis francesa.

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