BCP à procura de investidores estrangeiros para se financiar em 300 milhões

O banco liderado por Nuno Amado vai reunir-se com investidores para preparar uma nova emissão de dívida

A banca portuguesa esteve anos afastada do mercado de dívida. Mas está a aproveitar 2017 - e a melhoria do rating - para retomar o acesso ao financiamento junto de grandes investidores. O BCP é o próximo. Depois de ter colocado, em maio, obrigações garantidas por carteiras de crédito hipotecário, o banco planeia agora lançar títulos de dívida com maior risco. Para tal, contratou um sindicato bancário que irá organizar reuniões com investidores internacionais a partir de segunda-feira, 27 de novembro.

A operação poderá ser mais uma prova do acesso dos bancos portugueses aos mercados, após a emissão de dívida de alto risco da Caixa Geral de Depósitos no âmbito do processo de recapitalização, em março deste ano, e de algumas emissões hipotecárias. O objetivo do BCP é, segundo a Reuters, obter financiamento de 300 milhões de euros em títulos a dez anos. Em comunicado, o banco confirmou que serão organizadas reuniões com investidores qualificados para emitir títulos a dez anos, que podem ser reembolsáveis ao fim de cinco.

A dívida a emitir são obrigações tier 2, que o banco pretende que contem como fundos próprios complementares. Em caso de resolução, estes instrumentos estão entre os primeiros que são chamados a assumir perdas, o que leva a que os investidores exijam juros mais elevados nestas obrigações. Ainda assim, têm um risco menor do que os títulos tier 1, instrumento que foi utilizado na emissão da CGD e sem prazo definido, que tiveram um juro de 10,75%.

Apesar de poderem ser uma fonte de financiamento mais cara, são também uma prova da capacidade de aceder aos mercados. Este tipo de títulos é também importante para fazer face às exigências dos reguladores, devido à entrada em vigor de requisitos mais apertados de capital a partir de 2018. O Novo Banco, por exemplo, terá de fazer uma emissão do mesmo tipo no próximo ano no valor de 400 milhões de euros, uma exigência da Comissão Europeia para a conclusão da venda à Lone Star. No entanto, o Novo Banco, caso não consiga atrair investidores privados verá essa emissão garantida pelo Fundo de Resolução. No caso do BCP, esta emissão poderá ajudar a diversificar as fontes de financiamento. Em maio, o banco já tinha emitido mil milhões de euros em obrigações hipotecárias a cinco anos, com uma taxa de 0,75%.

Os contactos com investidores e a intenção para avançar com esta operação surgem pouco tempo depois de o banco presidido por Nuno Amado ter anunciado os resultados dos primeiros nove meses do ano. O BCP lucrou 133,3 milhões de euros, o que compara com as perdas de 251,1 milhões no mesmo período de 2016. A montar a emissão e a organizar os encontros com investidores estão, além do BCP, o Goldman Sachs, o Société Générale e o UBS.

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