BCE e rating ajudam Portugal a financiar-se com juros históricos

Tesouro deverá ir hoje ao mercado pedir emprestado até 1250 milhões de euros, a menos de 2%. A confirmar-se, será o juro mais baixo de sempre

Portugal pode conseguir hoje o juro mais baixo de sempre numa operação de financiamento a 10 anos, beneficiando da decisão do BCE de manter o programa de compra de dívida por mais tempo e da possibilidade da Fitch tirar o rating de lixo já em dezembro. Um cenário que tem permitido quedas significativas das taxas das obrigações portuguesas, que recuaram, pela primeira vez desde 2015, para menos de 2%.

É neste contexto favorável que o Tesouro regressa ao mercado. O objetivo é obter entre mil milhões e 1,25 mil milhões de euros em obrigações a 10 anos. No mercado secundário, que serve como um barómetro de quanto Portugal terá de pagar, os investidores exigiam ontem um juro de 1,932%, segundo dados da Reuters. E isso sinaliza que a operação de financiamento de hoje poderá bater o anterior mínimo de 2,041%, alcançado em fevereiro de 2015. O diretor da gestão de ativos do Banco Carregosa, Filipe Silva, considera como "possível" que se estabeleça um novo mínimo nos custos de financiamento a 10 anos.

Também Christoph Rieger, analista do Commerzbank, antevê também uma descida das taxas. "O mercado de obrigações no euro está a negociar como se não houvesse amanhã desde a reunião do BCE", o que dá sinais positivos para a operação de financiamento de Portugal, sublinha. Além disso, esta poderá ser uma das últimas oportunidades para os investidores comprarem dívida diretamente ao Estado português, já que o Tesouro está quase a alcançar o montante pretendido para a totalidade de 2017, que era de 15 mil milhões de euros.

De olhos na Fitch

A descida dos últimos dias dos juros da dívida portuguesa é explicada pelos analistas com as decisões do BCE na reunião de 26 de outubro. O banco central vai manter o programa de compras por mais tempo, se bem que a um ritmo menor. Continuará a intervir no mercado até setembro, pelo menos, o que deu oxigénio às obrigações europeias e também às portuguesas.

"A extensão do programa baixou as expectativas sobre a subida das taxas de juro, o que adia a potencial discussão sobre a sustentabilidade da dívida", refere Anne Karina Asbjorn, analista do Nomura, o que favorece países como Portugal, que têm um elevado nível de dívida.

A dívida portuguesa tem ainda beneficiado da mudança de opinião das agências de rating, principalmente depois de a S&P ter tirado a nota de Portugal de lixo em setembro. A descida dos juros "reflete também as boas notícias da conjuntura económica e da própria dívida portuguesa, como a melhoria do rating", diz Filipe Silva.

Os olhos dos investidores estão agora na Fitch, que se pronuncia a 15 de dezembro. "Se escolher subir o rating, as obrigações portuguesas passarão a ser incluídas na maioria dos índices de dívida soberana logo a partir de janeiro. Isso levaria provavelmente a uma nova onda de apoio nas obrigações portuguesas", conclui Anne Karina Asbjorn. E juros ainda mais baixos.

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