Banco de Portugal estima que taxa de desemprego desça até 5,6% em 2020

Esta projeção do emprego tem implícita um "crescimento fraco do produto por trabalhador", ou seja, "um aumento contido dos salários reais"

O Banco de Portugal (BdP) estima que a taxa de desemprego desça para 7,3% este ano e até 5,6% em 2020, devido a um aumento do emprego e subidas ligeiras na população ativa.

Hoje, o BdP atualiza as projeções económicas que apresentou no Boletim Económico de dezembro, melhorando as estimativas da taxa de desemprego em cada um dos anos até 2020.

O banco central espera agora que a taxa de desemprego desça de 8,9% em 2017 para 7,3% este ano, para 6,3% no próximo e para 5,6% em 2020.

Em dezembro, o banco central estimava taxas de desemprego ligeiramente superiores: 7,8% este ano, 6,7% em 2019 e 6,1% em 2020.

A redução da taxa de desemprego deve-se ao crescimento do emprego ao longo dos próximos anos, "conjugado com aumentos ligeiros da população ativa", associados ao regresso de algumas pessoas inativas ao mercado de trabalho e à subida progressiva da idade de reforma.

O BdP revê ligeiramente em alta o aumento do emprego este ano, de 1,6% para 1,9% e mantém as estimativas de melhoria para os anos seguintes: 1,3% em 2019 e 0,9% em 2020.

"Depois de, em 2017, ter crescido mais do que o PIB [3,3% contra 2,7%], o emprego continuará a aumentar até 2020, ainda que a um ritmo progressivamente mais baixo ao longo do horizonte de projeção", afirma o BdP.

Ainda assim, refere o banco central, em 2020 "o nível médio anual do emprego situar-se-á cerca de 12% acima do mínimo registado em 2013, embora permaneça 1,6% abaixo do nível em 2008", antes da crise económica.

Segundo o BdP, esta projeção do emprego tem implícita um "crescimento fraco do produto por trabalhador", o que se deverá traduzir "num aumento contido dos salários reais, mais pronunciado em 2018 devido à atualização do salário mínimo".

É nesse sentido que o BdP admite também que o consumo privado desacelere, "em linha com a evolução do rendimento disponível real", e antecipa que a taxa de poupança das famílias se mantenha em níveis "historicamente baixos".

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