Autoeuropa envia centenas de carros para Leixões e Espanha para escoar produção

Leixões, Vigo e Santander são alternativas provisórias para "minorar o impacto". Empresa diz que "a alternativa a Setúbal continua a ser Setúbal"

A Autoeuropa está a acionar medidas de contenção para escoar produção face à paralisação já com mais de uma semana no movimento dos terminais do Porto de Setúbal. As alternativas para garantir a distribuição para os mercados de uma parte dos milhares de automóveis que se encontram bloqueados passam pelo envio de centenas de unidades via porto de Leixões, e portos de Vigo e Santander, em Espanha. Mas a empresa diz que estão longe de ser suficientes.

Segundo fonte oficial da Autoeuropa, estas opções logísticas "permitem escoar uma capacidade reduzida, algumas centenas de carros". Mas "não são capazes de assegurar o escoamento da produção diária e, como tal, os carros continuarão a acumular-se". "A alternativa a Setúbal continua a ser Setúbal", insiste.

O cenário de paragem da fábrica de Palmela foi admitido esta semana na eventualidade de a Autoeuropa esgotar a capacidade de armazenamento de carros no cais do Porto de Setúbal, nos seus parques e também na Base Aérea nº6 do Montijo. A Autoeuropa está em diálogo com a Força Aérea, que cede espaço na base mediante um acordo alcançado este verão para acolher viaturas à espera de homologação devido a novas regras sobre emissões.

Até à passada terça-feira, a empresa dizia ter já mais de cinco mil carros empatados, e estimava esgotar a capcidade de os acomodar com mais três mil viaturas - a produção que estimava para esta semana. Neste momento, a Autoeuropa diz que é "prematuro" antecipar que as suas operações possam ser suspensas durante a próxima semana.

Por enquanto, nesta quinta-feira, a Autoeuropa vive ainda "um dia normal", segundo fonte da empresa, o mesmo se aplicando às operações do conjunto de empresas fornecedoras instaladas no Parque Industrial da Autoeuropa. Do conjunto destas unidades, apenas duas não estão exclusivamente dependentes da atividade da Autoeuropa.

A paralisação em dois terminais do Porto de Setúbal teve início no passado dia 5, quando 90 estivadores eventuais na estrutura iniciaram um protesto contra a precariedade das realações laborais que mantém com a empresa Operestiva, detida pelos gestores de terminais Yilport e Navipor. Nesta empresa de trabalho portuário há apenas 10 trabalhadores efetivos.

Os estivadores, apoiados pelo Sindicato dos Estivadores e da Atividade Logística exigem a negociação de um contrato coletivo de trabalho, a contratação de parte do grupo de trabalhadores em protesto e a a garantia de trabalho regular para os estivadores que manterão ainda vínculos precários.

A Operestiva informou ontem estar disponível para negociações com este sindicato, mas apenas se os estivadores puserem fim à atual paralisação.

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