Autoeuropa. Direção e operários sem acordo para pagar domingos

Administração da fábrica de Palmela prepara-se para impor compensação pelos novos horários. Trabalhadores vão discutir formas de luta em junho

A Autoeuropa vai funcionar em laboração contínua depois das férias de agosto, mas trabalhadores e administração não se entendem sobre o pagamento dos domingos. A comissão de trabalhadores, por causa disso, vai marcar plenários na fábrica de Palmela para o início de junho, mas admite que a administração volte a impor condições, tal como aconteceu no final do ano passado. Contactada pelo DN/Dinheiro Vivo, fonte oficial da Autoeuropa não comenta.

"Após várias reuniões sobre a compensação a pagar para a laboração contínua e AE19, não foi possível chegarmos a um entendimento, pois os valores e as condições apresentadas continuam insuficientes tendo em conta as expectativas dos trabalhadores", refere o comunicado da comissão de trabalhadores emitido na sexta-feira.

A administração da fábrica de Palmela quererá pagar os dias de trabalho ao sábado e domingo como dias normais, segundo fonte ligada à comissão de trabalhadores, agora liderada por Fausto Dionísio (ver caixa). Os representantes dos 5700 operários da Autoeuropa reclamam mais dinheiro para trabalhar ao domingo.

Perante o impasse, a comissão de trabalhadores antecipa uma nova decisão unilateral da administração. "A empresa informou-nos de que irá comunicar aos trabalhadores a compensação financeira que pretende aplicar unilateralmente." A manter-se esta posição, "a comissão de trabalhadores irá brevemente convocar plenários para ouvir e discutir com os trabalhadores a situação". Os plenários, que serão marcados na sexta-feira, deverão decorrer no início de junho.

A Autoeuropa vai funcionar com 19 turnos de laboração depois das férias de agosto: três turnos diários de segunda a sexta e dois turnos diários ao sábado e domingo. Já está acordado com a administração liderada por Miguel Sanches que os operários terão uma semana de trabalho de cinco dias, com duas folgas consecutivas. Estes dias de descanso serão gozados ao sábado e domingo de duas em duas semanas.

A construção do modelo T-Roc, o primeiro modelo de larga escala da fábrica de Palmela, obriga a este acréscimo de produção na segunda metade deste ano. Este ano, prevê-se que sejam produzidos 240 mil automóveis na Autoeuropa; hoje, já saem das linhas de montagem 860 carros por dia.

Do lado dos sindicatos, o SITE Sul diz que vai ter de reunir-se amanhã de manhã com a administração e a comissão de trabalhadores, adiantou Eduardo Florindo, coordenador do sindicato afeto à CGTP. O Sindel, afeto à UGT, não tem encontros agendados, para já.

O impasse no pagamento dos domingos surge quase dois meses depois de os trabalhadores da Autoeuropa terem aprovado os aumentos salariais na fábrica, com efeitos retroativos a outubro de 2017. Além do aumento do vencimento de 3,2%, serão integrados 250 precários até ao final do ano.

Ler mais

Premium

João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.

Premium

Rogério Casanova

Três mil anos de pesca e praia

Parecem cagalhões... Tudo podre, caralho... A minha sanita depois de eu cagar é mais limpa do que isto!" Foi com esta retórica inspiradora - uma montagem de excertos poéticos da primeira edição - que começou a nova temporada de Pesadelo na Cozinha (TVI), versão nacional da franchise Kitchen Nightmares, um dos pontos altos dessa heroica vaga de programas televisivos do início do século, baseados na criativa destruição psicológica de pessoas sem qualquer jeito para fazer aquilo que desejavam fazer - um riquíssimo filão que nos legou relíquias culturais como Gordon Ramsay, Simon Cowell, Moura dos Santos e o futuro Presidente dos Estados Unidos. O formato em apreço é de uma elegante simplicidade: um restaurante em dificuldades pede ajuda a um reputado chefe de cozinha, que aparece no estabelecimento, renova o equipamento e insulta filantropicamente todo o pessoal, num esforço generoso para protelar a inevitável falência durante seis meses, enquanto várias câmaras trémulas o filmam a arremessar frigideiras pela janela ou a pronunciar aos gritos o nome de vários legumes.