Atlântico promete mercados, mas faltam os elos da logística

Bancos de desenvolvimento vão canalizar mais fundos para infraestruturas na América Latina para melhorar cadeias logísticas internas e com o resto do mundo

Há um mundo emergente onde o aumento da população continua a prometer dividendos, as margens de produtividade estão por preencher e onde a integração promete ser cada vez maior. É mundo que vive nas margens do Atlântico Sul, vizinho da Europa, e, na opinião de alguns, local onde demografia, recursos naturais e conhecimento poderão fazer avançar a redução da pobreza mundial. Ou oferecer oportunidades às empresas do velho mundo.

"No oceano Atlântico temos muito terreno para produzir resultados altamente benéficos para o planeta", defendeu ontem Federico Ramón Puertas, embaixador da Argentina em Madrid, orador principal nas conferências Triângulo Estratégico promovidas pelo Instituto para a Promoção da América Latina e Caraíbas (IPDAL) para discutir a aproximação entre os blocos latino-americano, africano e europeu.

Ramón Puerta, brevemente presidente da Argentina na crise económica e política vivida pelo país em 2001, disse entender que "na América Latina e no continente africano há uma grande possibilidade de que a complementaridade avance mais rápido".

"O continente africano é o único espaço da última década com um claro crescimento económico. Quando o resto do mundo caiu numa recessão, África mostrou índices de crescimento globais muito fortes. E nós, na América Latina, podemos pela primeira vez na história exibir uma classe média saída da pobreza", defendeu.

Um futuro acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, que poderá ser concluído este ano, trará Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai - um mercado de 260 milhões de pessoas - para mais perto da Europa e de África.

Mas se há acordos e se começa a haver mercados mais integrados - na União Africana e na América Latina - continuam a faltar as cadeias logísticas, apontaram representantes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Banco de Desenvolvimento da América Latina.

Guillermo Fernández de Soto, diretor do CAF para a Europa, defendeu que são necessários corredores logísticos "que possam articular-se de maneira mais competitiva nas cadeias internacionais de valor".

O banco, no qual participam Portugal e Espanha, é responsável por 36% do financiamento multilateral na América Latina e está a rever o seu mandato para uma maior aposta nas infraestruturas. O objetivo "é pensar todas as interconexões da região"."Temos grandes atrasos. Temos de favorecer esta integração funcional, que significará maior produtividade."

"As infraestruturas são um tremendo canal de oportunidade", defendeu também Rafael Hoyuela, representante do BID na Europa. O banco tem um volume de financiamento anual de 11 a 12 mil milhões de dólares, com uma alocação de 50% a infraestruturas.

O Banco Europeu de Investimento quer também aumentar o financiamento à região, com um escritório na Colômbia. O objetivo é canalizar para a América Latina dois terços dos fundos para mitigação das alterações climáticas, revelou Kim Kreilgaard, diretor em Portugal.

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