Ângelo Ramalho: "Em 2020 vamos valer 100 milhões de euros só na mobilidade elétrica"

A liderar a Efacec na sua fase mais vertiginosa e internacional, Ângelo Ramalho estima crescer em todas as oito áreas de negócio nos próximos dois anos, para os 700 milhões de euros

Segundo o CEO, a mobilidade elétrica é o segmento com o maior potencial de evolução. Os números confirmam: valia menos de 10 milhões de euros há dois anos e representará uns expressivos 100 milhões de euros em 2020 para a empresa que é líder mundial de carregadores rápidos. A aposta é continuar a investir em sofisticação ao mesmo tempo que desenvolver produtos e serviços mais massificados para o mercado residencial e comercial.

Desde quando a Efacec é líder mundial de carregadores rápidos e o que é que isso mudou no negócio da empresa?
Desde 2008 que a Efacec começou a desenvolver esse segmento, até um pouco antes do tempo, quando não tinha sequer expressão, o que só viria a acontecer em 2012. Na verdade, o mobi e. - que também aconteceu antes do tempo - foi o mobilizador para desenvolvermos as nossas capacidades nesta área. Somos líderes da carga rápida desde que existe carga rápida para veículos elétricos , ou seja, a partir de 2012. Mas isto é um processo evolutivo, aquilo que era carga rápida em 2012, é hoje menos rápida, por comparação aos standards que conseguimos atingir. E hoje já estamos nos 300 KW de potência máxima, nos nossos produtos mais sofisticados, líderes de mercado.

O que mudou para empresa a partir desse momento em matéria de internacionalização e volume de negócio?
A EFACEC tem um portefolio de produtos, serviços e competências muitio diverso. Passámos a ser conhecidos internacionalmente e, agora particularmente conhecidos, num segmento de mercado disruptivo muito inovador, o que veio acentuar esses nossos atributos de inovação, que já existiam. Este reconhecimento internacional permite um reposicionamento da marca e da empresa num segmento altamente competitivo, que cresce a olhos vistos de forma exponencial nos próximos cinco, dez , quinze anos.
Quanto vale este mercado? Que perspetivas de crescimento?
Nós ainda há dois anos valiamos menos de 10 milhões de euros em termos de turnover anual na mobilidade elétrica. Em 2020 valeremos cerca de 100 milhões de euros na mobilidade elétrica. Isto dá-lhe uma expressão deste crescimento exponencial, com tudo o que tem de desafiante para uma organização como a Efacac, em partuicular nesta área de negócio

E quanto estima a Efacec crescer no conjunto das várias áreas de negócio?
No ano passado registamos um volume de negócios total da ordem dos 400 milhões de euros e aspiramos ter turnovers crescentes, da ordem dos 700 milhões de euros em 2020.

A mobilidade elétrica é a aposta estratégica da empresa?
Eu diria que esta é uma das apostas estratatégicas da EFACEC, porque é um segmento novo, com grande visibilidade, onde fomos pioneiros e detemos tecnologias inovadoras. Por isso, esta área vai ocupar um lugar muito importante no nosso portefolio de produto. Mas é preciso dizer que temos oito unidades de negócio e todas elas vão crescer neste período.

Como vão ser as auto-estradas do futuro em que a Efacec está envolvida, um pouco por todo o mundo, como por exemplo nos Estados Unidos?
As auto-estradas do futuro serão auto-estradas onde a mobilidade elétrica terá um papel maior. Vamos eletrificar as vias, dotando-as de tecnologia, produtos e serviços de forma a que sejam convenientes, úteis e adequados aos utilizadores finais. Os elementos centrais são os veículos elétricos e os carregadores, mas à volta disto há uma série de serviços periféricos que podem ser oferecidos e terão desenvolvimentos muito significativos. O veículo elétrico vai permitir exponenciar as ligações entre os seus utilizadores e os operadores de sistema muito para além do que hoje é possível. Estas auto-estradas de futuro são uma das nossas grandes linhas de desenvolvimento para os produtos topo de gama, de maior conteúdo tecnológico, onde vamos continuar a surpreender. Mas também vamos crescer noutros segmentos mais massificados , digamos assim. Porque a mobilidade elétrica será antes de mais destinada às cidades, às grandes áreas metropolitanas, que também precisam de carregamento rápido, mas não só. Por isso estamos a desenvolver soluções específicas para aplicar em condomínios residenciais, áreas de serviço ou centros comerciais. Estas soluções de produtos ajustados a cada caso será um segmento em grande crescimento.

E sse é um segmento que está a ser desenvolvido em parcerias, nomeadamente com a EDP...
Sim, claro. É preciso dizer que o mercado português de energia é muito sofisiticado, temos tudo o que existe em países com maior desenvolvimento socioeconómico maior que o nosso. É evidente que o nosso parceiro EDP é o grande motor desse mercado e é com parcerias desta natureza que é possível desenvolver tecnologia que depois acaba por ser utilizada noutros mercados sofisticados. É uma parceria profícua para ambas as partes. Permite desenvolver soluções fiáveis, credíveis, inovadoras. Mais do que uma empresa portuguesa, a EDP é hoje uma empresa que está noutros mercados, portanto esta parceria desenvolve-se também noutros mercados, como Espanha .


Com estas perspetivas de crescimento , a liderança do negócio num segmento tão apetecível, e outras conjunturas, há investidores estrangeiros a querer entrar no capital da empresa?
É uma temática em que eu não me vou querer envolver, mas, naturalmente, empresas que têm tecnologia e um portefolio sofisticado como o nosso, e que têm no segmento da mobilidade produtos líderes de mercado e com visibiliddae, potencia situações dessas. Mas é, aliás, para isso que as empresas existem, para serem atrativas aos múlltiplos stakeholderes com que interagem, nomeadamente aos seus acionistas

Admite que essa é uma possibilidade?
Não estou a dizer isso. A empresa é hoje estável do ponto de vista accionista, são conhecidos os seus acionistas que fazem uma aposta de longo prazo na empresa. O plano estratégico também é publico. É uma matéria que tem a ver com os accionistas.
Pela primeira vez, a Efacec está a patrocinar uma equipa de Fórmula E. Porque estão a fazer a aposta neste mercado?
Vamos olhar para a Fórmula E como uma plataforma com três objetivos. Por um lado tem a ver com a projeção e posicionamento da marca. Outro aspeto é que se pode tornar uma plataforma de desenvolvimento de negócio - para além da mobilidade elétrica- uma vez que se realiza em todas as regiões do mundo e dá uma grande visibilidade. E, por último, a Fórmula E será uma plataforma de desenvolvimento de tecnologia e de aplicação das nossas tecnologias afins, que vão para além da mobilidade elétrica.

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