Uber avança planos para serviço de táxi aéreo já em 2023

A empresa revelou, esta semana, o conceito de carro elétrico voador que deverá estar pronto a levantar voo em 2023. É uma nova era da mobilidade que se inicia com a intenção de chegar ao mercado de massas. E uma revolução também na rapidez de carregamento

Ana Rita Guerra
Os eVTOL são os “carros voadores” da Uber, 100% elétricos e concebidos para o serviço de táxi

A ideia de mobilidade elétrica é habitualmente pensada para transportes terrestres, mas a Uber está convencida de que se tornou impossível resolver os problemas das grandes cidades em terra. Trânsito, poluição, ineficiência e tempo perdido são problemas que a empresa quer ajudar a resolver com uma ideia revolucionária: mobilidade urbana aérea.

"As megacidades vão continuar a crescer e a capacidade de resolver este problema com infraestruturas é mínima", afirmou o CEO da Uber, Dara Khosrowshahi, no evento Uber Elevate, que decorreu esta semana em Los Angeles. "Precisamos de uma abordagem diferente", sublinhou, referindo-se ao plano ambicioso de fornecer serviços de táxi aéreo em 2023.

A estratégia passa por construir veículos de levantamento e pouso vertical, com capacidade para quatro passageiros, que irão voar a baixa altitude entre portos aéreos nas cidades. Estes "carros voadores" estão a ser designados tecnicamente como eVTOL e serão 100% elétricos. A Uber criou a nova divisão Elevate para desenvolver o modelo de negócio do futuro UberAir e está a adicionar parceiros a todos os níveis para concretizar esta visão. Os primeiros testes serão feitos dentro de ano e meio em LA e Dallas.

"Estamos a desenhar isto não como um serviço para uma minoria, mas algo que estará disponível para o mercado de massas", disse o executivo. Tal implica que a Uber perca dinheiro na fase inicial, porque terá de recrutar pilotos até conseguir que os eVTOL sejam autónomos. "É uma tecnologia incrível e necessária", declarou o CEO, falando do "sentido de missão" que a Uber tem com este projeto. Torná-lo realidade obriga ao envolvimento de raiz de reguladores do espaço aéreo, autoridades locais, construtoras aeronáuticas, ateliês de arquitetura e engenharia e parceiros de software. A Uber está a trabalhar em tudo isto em simultâneo, pelo que o evento reuniu cerca de mil executivos da indústria. A empresa usou este palco para revelar o protótipo eCRM 003, um desenho de referência com requisitos que os parceiros aeronáuticos terão de cumprir para fornecer veículos à frota UberAir. Três desses parceiros, a brasileira Embraer, a Pipistrel e a Karem Aircraft mostraram as suas versões de eVTOL durante o evento.

Além dos desafios que a construção destes aparelhos acarreta, o facto de serem elétricos implica uma infraestrutura de carregamento e bateria nunca vista. A Uber escolheu a ChargePoint como parceira exclusiva para esta área, e o que a empresa apresentou no Elevate foi o protótipo de um conector que poderá ser o standard da indústria e permitir o carregamento dos eVTOL em 15 minutos. A intenção, segundo o diretor de estratégia Simon Lonsdale, é usá-lo também em camiões elétricos, o que lhes dará volume e experiência.

"Há razões técnicas e de negócio para standardizar este novo conector para grandes capacidades energéticas", disse. "Isso levará a melhor performance de preço, maior fiabilidade, mais abertura na indústria." Já este ano, a ChargePoint quer expandir-se para a Europa do Sul com o seu portfólio virado para os carros elétricos.