Avança greve de 48 horas dos trabalhadores das Lojas Francas

Paralisação vai decorrer entre as 1:30 de 13 de maio e as 1:30 do dia 15

Patrícia JesusSusete Henriques
Interior do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa© Jorge Amaral/Global Imagens

Os trabalhadores das Lojas Francas de Portugal vão manter a greve para domingo e segunda-feira, depois de a administração não ter apresentado soluções para as "legítimas reivindicações", segundo o Sindicato dos Trabalhadores de Aviação e Aeroportos (SITAVA).

Numa comunicação aos associados, depois da reunião de quinta-feira com a administração, o SITAVA alertou ainda para "o facto de os trabalhadores estarem a ser questionados pela empresa acerca da sua adesão à greve quando não existe qualquer obrigação ou dever de prestarem essa informação".

Em declarações à agência Lusa, Luís Rosa, dirigente do SITAVA, referiu "haver relatos sobre perguntarem aos trabalhadores se vão fazer greve, telefonarem-lhes para casa no dia de folga".

Sobre a reunião com a empresa, o sindicalista referiu continuar a não haver respostas para os funcionários mais recentes não terem subsídio de turno, quando a sua "amplitude de horários, que podem começar às 03:45, em Lisboa, e vão até à 01:30 da manhã", o justifica.

Luís Rosa sublinhou ainda que os trabalhadores recebem o ordenado mínimo nacional e não dispõem de transportes públicos em certos horários, acontecendo "episódios caricatos de trabalhadores a virem no último metro [01:00] e a encostarem-se nos sofás do aeroporto para depois irem trabalhar a um quarto para as quatro".

A precariedade dos trabalhadores, que em alguns casos "estão um bocado em função dos movimentos dos aeroportos e do crescente ou decrescente número de passageiros", é outra das questões.

O sindicalista afirmou a disponibilidade para retomar o diálogo com a empresa, detida, em regime de 'joint-venture', pela VINCI Airports (51%) e a Dufry.

Em comunicado divulgado esta semana, o SITAVA recordou ter apresentado em janeiro uma proposta de "revisão salarial e de matérias de expressão pecuniária, decorrente da ausência de atualização salarial entre 2010 e 2015", tendo a administração atualizado os salários em 2% e em 0,10 euros o subsídio de refeição. Esta atualização foi "considerada insuficiente pelos trabalhadores", lê-se.

Assim, "a"falta de resposta na apresentação de soluções concretas tem sido uma constante e, perante este cenário, os trabalhadores decidiram desencadear uma greve para os próximos dias 13 e 14 de maio, com vista a resolver os seus legítimos anseios", estando ainda marcada uma concentração às 11:00 de segunda-feira no aeroporto de Lisboa.

A greve decorrerá entre as 01:30 de 13 de maio até às 01:30 de dia 15.

A Lusa tentou, sem sucesso, contactar a empresa.