Sonangol tem 1,9 mil milhões na Galp e BCP. E não vai vender

O presidente da Sonangol desfez as dúvidas sobre a permanência da empresa no capital da Galp e do BCP. Garantiu que os investimentos são para manter

Rui Barroso

Está dada a garantia. As posições da Sonangol no BCP e na Galp são para manter, assegurou ontem o presidente da petrolífera angolana. Carlos Saturnino classificou esses investimentos como "estratégicos" e as declarações poderão ajudar a dissipar algumas dúvidas sobre o futuro da estrutura acionista do banco e da petrolífera portuguesa. Aos preços de mercado atuais, as posições da Sonangol nas duas empresas estão avaliadas em 1,9 mil milhões de euros.

Carlos Saturnino explicou, numa conferência de imprensa, que as posições na Galp e no BCP dão "bons resultados" e são "investimentos estratégicos". A garantia surge depois de o presidente angolano, João Lourenço, ter ordenado no início do ano uma avaliação aos investimentos de empresas públicas angolanas em instituições financeiras, o que incluía o BCP. E um dia depois de terem surgido notícias na imprensa espanhola de que a Amorim Energia, que tem a Sonangol como acionista, estaria a preparar a venda da posição na Galp. Essas informações seriam entretanto desmentidas.

"Ao remover este cenário "da mesa", a estrutura acionista das empresas deixa, assim, de ser um risco para estas", considera o BiG. "O compromisso da Sonangol para com as empresas é positivo para estas e, tendo em conta o peso do BCP e da Galp no mercado acionista, também é positivo para este."

A Sonangol detém 15,24% do banco liderado por Nuno Amado, segundo as últimas informações públicas. Aos preços atuais, essa posição está avaliada em 680 milhões de euros. Mas têm surgido notícias de que terá aumentado a posição para perto de 20%. A petrolífera angolana controla ainda 55% da Esperaza Holding (os outros 45% estão nas mãos de Isabel dos Santos). Esta entidade detém 45% da Amorim Energia que, por sua vez, tem uma posição de 33,34% na Galp. A posição indireta da Sonangol vale 945 milhões de euros.

Na apresentação de resultados anuais do BCP, Nuno Amado tinha mostrado confiança na continuidade da Sonangol como acionista de referência. A empresa angolana é a segunda maior investidora do banco, atrás da Fosun.

Entre 2014 e 2016, a queda das ações do BCP representaram menos-valias potenciais de mais de 900 milhões de euros, segundo os dados dos últimos relatórios e contas da Sonangol. No ano passado, a petrolífera angolana terá recuperado parte do valor perdido, devido aos ganhos das ações do banco. Subiram mais de 45% no ano passado e em 2018 levam uma valorização de mais de 8%.

Carlos Saturnino destacou que o banco "melhorou substancialmente. Tem produzido dinheiro e resultado. Não tem distribuído grandes montantes, mas é um banco que tem adicionado valores através da sua atividade". Em relação a um eventual reforço da posição, disse que estava dependente da estratégia que o banco, que vai eleger novos órgãos sociais neste ano, vier a adotar. O líder da Sonangol revelou que a empresa tem estado ativa na definição do modelo de governo e de negócio do banco e que tem tido conversações com a Fosun.

Em relação à Galp, o presidente da Sonangol defendeu a importância estratégica, já que a petrolífera portuguesa "tem investimentos em Angola, em vários blocos, tem investimentos muito interessantes e sonantes a nível do Brasil, de maneira que é um investimento estratégico e que tem dado bons resultados".