Saíram quase 500 trabalhadores dos bancos até maio

Só a CGD dispensou 347 funcionários até maio. No total, há menos cem balcões no país. E vai haver mais cortes neste ano

Elisabete Tavares
Só da CGD saíram 347 trabalhadores, até maio © Leonardo Negrão/Global Imagens

Os bancos em Portugal não param de emagrecer e desde o início do ano voltaram a reduzir os seus quadros de pessoal. Ao todo, foram cerca de 500 os trabalhadores que deixaram o setor da banca. O banco público é o campeão das saídas, com menos 347 funcionários nos quadros da Caixa Geral de Depósitos (CGD) até maio, noticiou ontem o Expresso. São mais 97 trabalhadores face aos 250 que o banco liderado por Paulo Macedo tinha dispensado até ao final de março. Falta à Caixa saírem 150 trabalhadores para atingir as 500 saídas previstas anualmente.

"Os números valem o que valem. Faltam dois anos e meio para a Caixa acabar o processo de reestruturação e a administração já disse que quer acelerar o processo", disse João Lopes, presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Empresas do Grupo CGD, em declarações ao DV/DN. "O objetivo é ter o maior número de adesões de trabalhadores (a acordos de rescisão e pré-reformas) o mais cedo possível. E, até agora, aparentemente esse objetivo tem sido atingido."

Mais cortes

No Santander, o número de saídas atingiu as 50 no primeiro trimestre deste ano. O BCP e o BPI registaram a saída de 34 funcionários cada um. No Novo Banco, foram 32 os trabalhadores a sair nos primeiros três meses do ano mas tem em marcha a saída de mais de 400 trabalhadores em 2018 e fechar mais 43 balcões. Estes cortes na banca não surpreendem. Os bancos têm vindo a reduzir as suas redes e quadros de pessoal enquanto reforçam a aposta nos serviços digitais. O setor passou por uma forte crise e em simultâneo tem de se preparar para a concorrência de outros operadores com serviços digitais.

Os bancos em Portugal deverão fechar o mês de junho com menos cerca de cem balcões face ao que tinham no final de 2017. O Novo Banco anunciou o fecho de 30 balcões até abril e a CGD reafirmou que fecha 70 balcões em 2018, na sua maioria até ao fim de junho. A Caixa prevê chegar ao final deste ano com 517 agências face às 587 que tinha no final de março passado.

Em 2017, a banca perdeu, em termos líquidos, 332 balcões e 712 trabalhadores, segundo a Associação Portuguesa de Bancos. De acordo com o Sindicato dos Quadros Técnicos e Bancários, foram cerca de quatro mil os trabalhadores que saíram do setor em 2017.

O banco público está a liderar nos cortes. A Caixa cumpre um plano acordado em 2016 entre o governo e Bruxelas no âmbito da recapitalização do banco de cinco mil milhões de euros. Até 2020, Paulo Macedo terá de ter cortado mais de dois mil postos de trabalho no banco. Em termos de balcões, o objetivo é ficar com 480.

O fecho de agências da CGD tem gerado alguma contestação por parte das populações afetadas. Mas o banco garante que a maior parte dos fechos são nos grandes centros urbanos.

"O problema é quando a redução de postos de trabalho e de agências não está sincronizada", apontou João Lopes.