Portugueses gastaram 1,5 mil milhões de euros por dia em 2017

No ano passado registaram-se 7,4 milhões de operações bancárias por dia, mais 567 mil do que durante o ano de 2016

Sónia Santos Pereira
© Mário Cruz/Lusa

Os portugueses acompanharam no ano passado a evolução positiva da economia e abriram a bolsa ao consumo. Por dia, registaram-se em média 7,4 milhões de operações de pagamento no Sistema de Compensação Interbancária (SICOI), num total de 1,5 mil milhões de euros, ou seja, mais 567 mil operações e 118,3 milhões de euros do que em 2016, divulgou ontem o Banco de Portugal (BP). As operações de débito direto também aumentaram, sinal de maior confiança no processo, e verificou-se uma quebra no uso de cheques. Já as compras online continuaram a não cativar os nacionais, assim como os cartões contactless (leitura por aproximação do cartão de pagamento).

O SICOI, entidade responsável pelo processamento das operações de retalho no país, liquidou no ano passado mais de 2,5 mil milhões de operações, no valor de 417 mil milhões de euros, segundo o Relatório dos Sistemas de Pagamentos de 2017 que ontem o BdP tornou público. Tanto em número como em valor, as operações aumentaram 8%.

A rede multibanco mantém-se como preponderante no sistema, com uma representação de 86% no total de operações de pagamento de retalho. As compras pesaram 49,5%, 21,1% dizem respeito a levantamentos e 19,8% a operações de baixo valor. O SICOI registou mais de 2,1 mil milhões de operações com cartões bancários na rede multibanco, que totalizaram no ano passado 115 mil milhões de euros, ou seja, mais nove mil milhões do que em 2016. Segundo o relatório, as compras aumentaram 11,2% em número e em valor. No final de 2017, a rede multibanco tinha 14,6 milhões de cartões de débito em vigor e seis milhões de cartões de crédito.

As transferências a crédito representaram 222,3 mil milhões (53,3% do total do valor processado) das operações de pagamento a cargo do SICOI. A quase totalidade destas operações (99,8%) diz respeito a transferências de acordo com os requisitos da Área Única de Pagamentos em Euros (SEPA). Face a 2016, as operações a crédito aumentaram 8,2% em volume e 10,9% em valor.

Os débitos diretos foram o instrumento de pagamento que registou o maior crescimento. No ano passado, foram processados 179,4 milhões de operações com um valor global de 24,5 mil milhões, o que perfaz um aumento de 12,1% em número e 16% em valor. Já a utilização do papel, o designado cheque, começou a entrar em desuso, representando apenas 1,3% do volume de pagamentos. Segundo o relatório do BdP, os cheques emitidos no ano passado totalizaram 55 mil milhões, mas registaram uma quebra de 5,8% em valor e de 11,6% em número. Os cheques devolvidos por insuficiência de provisão caíram 12,2%, assim como as entidades na lista vermelha (menos 13%).

As compras online continuam a ter uma expressão reduzida no país. Apenas 3,9% do número e 5,9% do valor das compras realizadas no ano passado foram efetuadas neste registo. O recurso à tecnologia de leitura por aproximação do cartão de pagamento (contactless) ainda não entrou no dia-a-dia dos portugueses. Só 1,6% do número e 0,6% do valor em compras presenciais foram liquidados por esta via.

No relatório, o BdP sublinha que estão a ser preparadas alterações no SICOI, como o aumento do valor máximo por operação nos subsistemas de cheques, transferências a crédito e débitos diretos, e a introdução de uma solução para a realização de transferências imediatas.