Federação Académica do Porto: quartos a 300 euros são "incomportáveis"

Estudantes acusam Estado de não dar resposta e dizem que estão a chegar a "situação limite"

Bárbara Cruz
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Um quarto para arrendar no Porto custa "entre 250 e 300 euros por mês", valores "incomportáveis" para a "típica família portuguesa" que gasta em média "700 euros" com um estudante universitário, alertou hoje a Federação Académica do Porto (FAP).

"Estamos a falar de preços na cidade do Porto que rondam os 250 a 300 euros por mês, portanto é metade do salário mínimo nacional e são valores absolutamente incomportáveis para a típica família portuguesa", observou o presidente da FAP, João Pedro Videira, lamentando que a "maior fatia do orçamento" dum estudante universitário no Porto seja gasto no alojamento

O custo total mensal de um universitário no Porto, explicou, ronda entre os 700 e os 900 euros mensais, atendendo a todos os gastos para a frequência do ensino superior, designadamente propinas, alojamento, alimentação, material escolar e livros.

O presidente da FAP avisou ainda que o Estado continua sem dar uma resposta e os estudantes estão a chegar a uma "situação limite".

"O Estado, como a própria autarquia neste momento também, tem de começar a dar alguma resposta sobre esta matéria, porque estamos a achegar a uma situação limite, aliás já chegámos a uma situação limite em que se verificam cada vez mais estes valores".

Muitas vezes os valores das rendas nem sequer têm um contrato de arrendamento e muitas vezes sem despesas incluídas, acrescenta, falando em cerca de "50 euros" a mais para despesas mensais.

"Hoje em dia frequentar o ensino superior no Porto, para quem é estudante deslocado, pode rondar entre os 700 euros e os 900 euros, a mil euros por mês, dependendo do nível de vida", conclui.

Segundo o presidente da FAP, a realidade na Universidade do Porto é que existem 23 mil estudantes deslocados.

"Temos 1.300 camas de oferta pública no total, mas desse total 100 camas estão inoperacionais e o resto do mercado tem de ser em privados", com valores "exorbitantes e incomportáveis" para a maioria das famílias portuguesas.