Depois de investimento simbólico, Montepio quer 48 milhões

Os milhões da Santa Casa a investir no Montepio ficaram-se pelos 75 mil euros. O banco atraiu 50 investidores da economia social. Mas quer mais acionistas

Rui Barroso
© RODRIGO ANTUNES/LUSA

Chegou a ser estudado um negócio de centenas de milhões. Mas o investimento de entidades da economia social no Montepio foi feito a valores simbólicos. Há 50 instituições que vão comprar ações do banco. Mas o valor fica-se pelas centenas de milhares de euros. A maior aplicação é da Santa Casa de Lisboa, que vai investir 75 mil euros; grande parte dos investidores não irão além de mil euros. Ainda assim, o presidente da Associação Mutualista, Tomás Correia, conta vender até final do ano 2% do banco por 48 milhões de euros.

Apesar dos montantes modestos investidos pelas 50 instituições, a compra das ações foi feita a um preço que confere uma avaliação de 2,4 mil milhões de euros à Caixa Económica Montepio Geral. Esse valor é superior aos 1,88 mil milhões a que a Associação Mutualista, a dona do banco Montepio, avalia contabilisticamente a instituição financeira. Apesar disso, Tomás Correia diz que não haverá qualquer tipo de impacto no balanço da Associação Mutualista.

Edmundo Martinho, provedor da Santa Casa, explicou os valores modestos do investimento no Montepio. Aquela entidade chegou a ponderar comprar 10% do banco num negócio que poderia chegar aos 200 milhões de euros. Mas a discussão pública em torno do negócio e a recomendação do Parlamento ao governo para travar a compra fizeram a Santa Casa recuar, explicou o responsável desta entidade.

Por esse motivo garante que "neste momento está fora de questão investir na casa dos milhões". Além da Santa Casa, houve investimentos de dez mil euros da Santa Casa do Porto e de cinco mil euros da União das Misericórdias.

Fundo para a economia social

Tomás Correia defendeu a necessidade de existir um grupo financeiro da economia social. Esse objetivo foi também defendido pelas instituições que apostam neste projeto. João Marques Pereira, presidente da Associação Portuguesa das Mutualidade, disse que este "é um processo que poderá ser fulcral para a economia social", já que é um setor em que "a lógica de financiamento não é exatamente igual à da economia de mercado".

O presidente da Associação Mutualista rejeita que a entrada de entidades da economia social resulte em facilitismos na concessão de crédito. "As regras prudenciais são para cumprir", sublinhou. Apesar de não prometer crédito para o setor, Tomás Correia anunciou que iria ser criado um fundo de capital de risco financiado por parte dos resultados do banco para apoiar projetos da economia social.

E garante também que, apesar dos investimentos modestos das instituições da economia social, os novos acionistas terão um papel a desempenhar para delinear o futuro do banco. "As participações serem simbólicas não significará menor intervenção dos acionistas." Nesse sentido, será criado um conselho estratégico e uma assembleia de representantes.