CP está a trabalhar com a Renfe para entrar no mercado espanhol

Transportadora ferroviária portuguesa quer chegar a cidades como Madrid, Barcelona, Badajoz e Valência

Patrícia JesusFilipe Garcia
O presidente da CP, Carlos Nogueira (direita), com o secretário de Estado das Infraestruturas, Guilherme W. d’Oliveira Martins (esquerda). | foto MANUEL DE ALMEIDA/LUSA
Comboios parqueados em Santa Apolónia, Lisboa. | foto Leonardo Negrão / Global Imagens

Apesar do período de crise que enfrenta, a CP - Comboios de Portugal está a preparar-se para a liberalização do transporte ferroviário de passageiros na União Europeia, prevista para 1 de janeiro de 2019. Segundo o ​​Jornal de Negócios, a transportadora portuguesa está a trabalhar com a congénere Renfe, no sentido de prestar serviços em quatro cidades espanholas: Madrid, Barcelona, Valência e Badajoz.

"Vamos pensar no mercado ibérico de forma a que os comboios da CP possam ir em poucas horas a Madrid, Barcelona, Valência e Badajoz", explicou em julho o presidente da transportadora ferroviária portuguesa, Carlos Nogueira, numa conferência sobre transportes públicos realizada no Parlamento, onde explicou que o comboio noturno "Lusitânia", entre Lisboa e Madrid, em nada tem a ver com o projeto. Na mesma sessão, Carlos Nogueira admitiu a possibilidade de a transportadora pública portuguesa poder vir a entrar noutros países da União Europeia, mas para que isso aconteça é necessário que haja "capital e material circulante adequado e com boa performance".

Para além do comboio "Lusitânia", a CP opera mais duas ligações internacionais para Espanha: o "Celta", entre Porto e Vigo, e o "Sud Expresso", entre Lisboa e Hendaia.

De acordo com Carlos Nogueira, a mudança na administração da Renfe permite "reiniciar o processo com novos interlocutores" e "trabalhar em veículos empresariais para, em conjunto na área de joint venture, encontrarmos soluções para sermos competitivos principalmente no mercado ibérico".

Foram descartadas parcerias com outras empresas ferroviárias, pelo que, para já, o foco passa pelas negociações com a Renfe.

A CP e o Governo terão de trabalhar num contrato de serviço público que terá de ser formalizado até ao final de 2018, na sequência da liberalização do transporte ferroviário de passageiros, o que passa por definir indicadores objetivos de cooperação, transparência financeira, obrigações de serviço público e compensações.

As empresas ferroviárias ainda poderão fazer um ajuste direto até 2023, data a partir do qual deverão estar sujeitas à concorrência.

A liberalização poderá abrir portas à entrada de operadores privados no mercado português, em particular nas linhas mais rentáveis e movimentadas para a CP. Algumas delas, como é o caso dos suburbanos, poderão ser abrangidas pelo contrato de serviço público.