Construtores colocam agora carros a simular poluição... em excesso

Bruxelas detetou novos truques dos fabricantes automóveis para manipular as emissões de CO2 em sentido contrário aos do caso Dieselgate, na Alemanha.

Manuel Carlos Freire
A Volkswagen esteve no centro do escândalo de emissões poluentes que rebentou em 2015 © REUTERS/Fabian Bimmer

A Comissão Europeia descobriu que há construtores automóveis a manipular agora os resultados das emissões de gases por excesso, com o objetivo de tornar menos exigentes as reduções já aprovadas para as próximas décadas.

A informação, noticiada esta quarta-feira pelo Financial Times (FT) e pela Reuters, cita um estudo da Comissão Europeia que revela existirem novas formas de ludibriar os mecanismos de controlo das emissões efetivas de gases dos automóveis - mas sem identificar quais os construtores envolvidos.

Este novo caso surge na sequência do chamado Dieselgate (2015), em que várias marcas do grupo alemão Wolkswagen instalaram dispositivos para simular valores de poluição inferiores aos níveis efetivos das emissões em estrada.

Os novos artifícios postos em prática pelos fabricantes nos testes - desligar a função start-stop, baterias quase sem carga, conduzir com mudanças abaixo do indicado - exigem maiores consumos de combustível, inflacionando assim os valores das emissões dos carros para as novas metas (a vigorar a partir de 2020) serem menos exigentes e atingidas mais facilmente.

Serão os valores de poluição que os carros terão de cumprir em 2020 a definir as reduções posteriores já previstas: menos 15% até 2025 e menos 30% em 2030.

"Não gostamos de truques", afirmou ao FT o comissário europeu para as questões climáticas, Miguel Arias Cañete, pelo que "vamos fazer tudo o que for necessário" para que haja coincidência entre os resultados dos testes e os níveis reais das emissões poluentes dos carros.

Segundo os resultados do estudo do Centro de Investigação Conjunta (JRC, sigla em inglês) da Comissão Europeia, houve casos em que os resultados das emissões obtidas em teste foram superiores em 13% aos valores registados em estrada.