Bosch é "exemplo do espírito europeu"

No primeiro dia em Portugal Angela Merkel foi à Bosch, que está criar tecnologia inovadora para condução autónoma

Sónia Santos Pereira
 | foto Artur Machado/ Global Imagens
 | foto Clara Azevedo/Gabinete do primeiro-ministro
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A chanceler alemã, Angela Merkel, chegou ontem à Bosch num Audi A6, contrariando as expectativas geradas de ser transportada do aeroporto do Porto até ao novo centro de tecnologia e desenvolvimento do grupo alemão, em Braga, no novo modelo produzido na Autoeuropa, o T-Roc. À sua espera estava já o primeiro-ministro português, para, juntos, inaugurarem o mais recente investimento da Bosch em Braga, "um excelente exemplo" do espírito europeu, disse o primeiro-ministro.

O centro de tecnologia, um investimento de três milhões de euros e que permitirá criar cem postos de trabalho na área da engenharia até ao final do ano (a somar aos cem já existentes), é uma aposta do grupo alemão no desenvolvimento de soluções para a mobilidade autónoma e conectada em Portugal. Os colaboradores estão já a trabalhar em sensores e funções de software com vista à perceção e localização no ambiente, e que serão aplicados na condução autónoma. O objetivo é que a condução no futuro seja segura, confortável e sem acidentes.

A disponibilidade de recursos humanos qualificados no país e a parceria que a Bosch tem há vários anos com a Universidade do Minho, e que está a reforçar, foi determinante para este novo projeto em Braga. A inovação é o futuro da Europa, e também do emprego, sublinhou Angela Merkel.

A chanceler alemã aludiu ao problema do desemprego, que "foi e ainda é, um problema" em Portugal, mas o importante "é saber qual o rumo a seguir para ter um futuro e os números mostram quais são os setores do futuro". Por isso, Merkel pediu "aos professores que despertem o entusiasmo nos alunos pelas novas tecnologias porque são as profissões de futuro".

Neste caminho, a Bosch tem em curso uma candidatura a fundos europeus para projetos na área da condução autónoma a desenvolver no novo centro em parceria com a Universidade do Minho, que prevê um investimento de 36 milhões de euros entre 2018 e 2021.

O carro do futuro

Para Angela Merkel, que visitou as novas instalações da Bosch, a "prosperidade depende de sermos inovadores" e como "o resto do mundo não fica de braços cruzados é uma enorme alegria ver que aqui se está a trabalhar no futuro da Europa em cooperação entre dois países fisicamente distantes".

Já António Costa realçou que "o espírito europeu não é só juntar países à volta de uma mesa do conselho para tomar decisões, é a capacidade de juntarmos recursos, de fazermos em conjunto". Só assim será possível "construir uma Europa que possa defender o seu modelo social, os seus standards de vida e ambientais e o modo de viver neste mundo globalizado que é tão desafiante para a Europa".

Do made in ao invented in

Recordando que há vários anos a Blaupunkt (antiga Bosch) produzia em Braga autorrádios e hoje a produção está baseada em tecnologia e conhecimento, António Costa sublinhou que é a colaboração em rede que vai desenvolver a "tecnologia que vai equipar o carro do futuro". E lembrou que o grupo alemão é parceiro nos projetos Laboratórios Colaborativos e Clube dos Fornecedores, dentro do programa Interface, "que visa transferir conhecimento e tecnologia das universidades, politécnicos e centros de saber para o tecido económico". E frisou: "Se queremos ser competitivos no futuro, é com base na inovação e no conhecimento."

Já Dirk Hoheisel, membro do conselho de administração da Bosch, recordou a longa história do grupo em Portugal, que se instalou nos idos de 1911, e hoje tem presença em Braga, Ovar, Aveiro e Lisboa. O responsável sublinhou que a Bosch em Portugal é o made in, mas também o invented in, e que o novo centro "é mais uma prova do grande potencial que vemos" no país.

Nos últimos três anos, a Bosch investiu cerca de 200 milhões de euros em novas infraestruturas, com o consequente aumento da produção, e aumentou o número de colaboradores, respondendo hoje por 4500 postos de trabalho. Em Portugal, o grupo gerou um volume de negócios de 1,5 mil milhões de euros em 2017. A nível global, a Bosch respondeu por vendas de 78,1 mil milhões de euros.

À saída da Bosch, António Costa juntou-se a Angela Merkel e seguiram então no Volkswagen T-Roc para o Porto, para visitar dois laboratórios e a uma plataforma científica do I3S - Instituto de Inves-tigação e Inovação em Saúde, e onde eram esperados para um debate com perto de cem alunos de doutoramento da Universidade do Porto.

A ANÁLISE DE LEONÍDIO PAULO FERREIRA