Abastecer com diesel pode custar mais 155 euros por ano

Atestar todas as semanas sai a mais cem euros por ano do que no início de 2017. Portugal é o quarto país mais caro da UE

Encher um depósito de 45 litros de gasóleo fica agora mais caro 2,97 euros comparativamente ao início de 2017. No caso de um consumidor que ateste o veículo todas as semanas, o custo acrescido será de 154,4 euros por ano, partindo do princípio de que os preços médios do dia 1 de janeiro, apurados pela Comissão Europeia (CE), se mantêm (1,321 euros por litro). No caso da gasolina - 1,510 euros no passado dia 1, que compara com 1,463 euros do início de 2017 -, o custo anual acrescido será de 110 euros.

Um dos fatores que explicam o salto dos combustíveis no início deste ano prende-se com a atualização do imposto sobre produtos petrolíferos e energéticos (ISP) em função da inflação prevista. "O governo decidiu atualizar o ISP, mas sobre esse imposto incide ainda o IVA. O resultado traduziu-se em aumentos dos preços finais na ordem de 1 a 2 cêntimos por litro", explica António Comprido, da Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas (Apetro).

Quem não gostou da medida foi a Associação Nacional dos Revendedores de Combustíveis (Anarec). "A principal razão para os preços altos é a elevada carga fiscal que corresponde a 65% do preço final", refere António Albuquerque, presidente daquela associação. Os dados da CE indicam que Portugal é o quinto país mais caro da União Europeia no caso da gasolina. Quanto ao gasóleo, Portugal está em quarto lugar, com ou sem carga fiscal. No caso da gasolina, o cenário muda se forem retirados todos os impostos e taxas: o país passa a ser o terceiro mais caro, só superado pela Dinamarca e pela Estónia.

O preço da gasolina deverá baixar hoje meio cêntimo, segundo fontes do setor. No primeiro dia do ano, aquele combustível custava em média 1,510 euros por litro. A alta do euro terá evitado nova subida e permitiu ao gasóleo manter o preço (1,321 euros) na próxima semana. Os futuros do brent apontam para uma cotação superior a 67 dólares por barril, para entrega em março. António Comprido, da Apetro, antevê estabilidade ao longo do ano.

Ler mais

Exclusivos

Premium

João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.

Premium

Rogério Casanova

Três mil anos de pesca e praia

Parecem cagalhões... Tudo podre, caralho... A minha sanita depois de eu cagar é mais limpa do que isto!" Foi com esta retórica inspiradora - uma montagem de excertos poéticos da primeira edição - que começou a nova temporada de Pesadelo na Cozinha (TVI), versão nacional da franchise Kitchen Nightmares, um dos pontos altos dessa heroica vaga de programas televisivos do início do século, baseados na criativa destruição psicológica de pessoas sem qualquer jeito para fazer aquilo que desejavam fazer - um riquíssimo filão que nos legou relíquias culturais como Gordon Ramsay, Simon Cowell, Moura dos Santos e o futuro Presidente dos Estados Unidos. O formato em apreço é de uma elegante simplicidade: um restaurante em dificuldades pede ajuda a um reputado chefe de cozinha, que aparece no estabelecimento, renova o equipamento e insulta filantropicamente todo o pessoal, num esforço generoso para protelar a inevitável falência durante seis meses, enquanto várias câmaras trémulas o filmam a arremessar frigideiras pela janela ou a pronunciar aos gritos o nome de vários legumes.