Inovar para um turismo mais sustentável e competitivo

Countdown to Web Summit 2022 com Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal, da European Travel Commission e do NEST - Centro de Inovação do Turismo.

A inovação é um elemento fundamental para a competitividade de qualquer destino turístico.

Portugal não é diferente e o setor tem conseguido ultrapassar os desafios com que se tem confrontado graças à capacidade de inovação das empresas e dos gestores dos destinos. Os novos negócios, novos conceitos de serviço e experiências que revolucionaram por completo a oferta turística em Portugal nos últimos anos, têm posicionado o nosso país como um dos mais inovadores do Mundo. A entrada de novos atores no mercado, de investidores internacionais e a atração de marcas globais revolucionou a dinâmica das nossas regiões e melhorou a atratividade.

Mas o processo de inovação no turismo tem de ser muito mais do que uma resposta pontual a crises ou conjunturas desfavoráveis. Precisa de ser estruturante, diferenciador e ambicioso.

Dinamizador de um ecossistema constituído pelos seus atores fundamentais - públicos e privados - e indutor da transformação contínua de um setor altamente exposto à competitividade internacional.

Foi com este desígnio que, em 2017, construímos e lançámos uma estratégia de inovação para o setor - Estratégia Turismo 4.0. A ambição era a de potenciar Portugal como um hub global de inovação no turismo, promovendo um ecossistema de cooperação tecnológica e empresarial com quatro grandes objetivos: fomentar o empreendedorismo, enquanto veículo de inovação e criação de novas empresas; transferir conhecimento para as empresas, ligando produtores de inovação e as empresas que a devem aplicar nos seus negócios; liderar o processo de inovação, antecipando as mudanças do futuro no turismo; e formar e capacitar empresas e recursos humanos para a área da inovação.

Um dos pilares fundamentais desta estratégia é o Programa FIT - Fostering Innovation in Tourism que visa estruturar e dinamizar este ecossistema. Envolve a rede de incubadoras e aceleradoras existente no País e o talento que lhe está associado, investidores institucionais (a começar pelo nosso parceiro Portugal Ventures), o sistema científico e tecnológico e as empresas, enquanto destinatários finais do processo de inovação.

O balanço destes 5 anos do programa é claramente positivo: o investimento de mais de 5 milhões de euros permitiu estruturar uma rede com 49 incubadoras, o desenvolvimento de 69 programas de ideação, aceleração e inovação aberta e a participação de 1.425 startups tecnológicas e não tecnológicas. Das inúmeras iniciativas dinamizadas destaca-se o convite a Startups para participarem, em conjunto com as empresas de turismo, em algumas feiras internacionais, mostrando a inovação em Portugal mas sobretudo criando uma dinâmica entre todos os participantes do stand Visit Portugal.

Juntámos a este programa a constituição do NEST - Centro de Inovação do Turismo que reúne empresas como a Google, a Microsoft, a Via Verde, a NOS, a ANA Aeroportos, o Banco BPI, o Millennium bcp e o Turismo de Portugal - e que é hoje um veículo fundamental da aceleração do processo de inovação em Portugal.

Mais do que os casos de sucesso de startups como a Infraspeak, a doinn, a GuestU ou o reconhecimento internacional de startups como a Climber, a Hijiffy, a Live Eletric Tours, a Luggit ou a Siliconbali - todas premiadas em competições internacionais da Organização Mundial do Turismo -, o balanço mais importante que fazemos é o facto de, com elas e com tantas outras que integraram os nossos programas, termos estado prontos para fazer face aos desafios da pandemia, implementando rapidamente soluções inovadoras no contacto com o cliente, na digitalização de processos, na melhoria da eficiência das operações ou no desenvolvimento de soluções que alicercem práticas de sustentabilidade. O êxito destas soluções chegou aos quatro cantos do Mundo e hoje temos alumni dos nossos programas fortemente internacionalizados.

Na verdade, a necessidade acelerou uma adoção massiva deste tipo de soluções tecnológicas por parte das empresas portuguesas mas desta vez essa adoção foi alicerçada num ecossistema que aproveitou o talento existente em Portugal e criou soluções robustas em áreas que vão do turismo cultural ou ambiental até à procura da diferenciação da experiência turística.

Por todos estes motivos, a inovação continua a ser uma das prioridades na Missão do Turismo de Portugal, um pilar fundamental no Plano Reativar o Turismo | Construir o Futuro e o maior contributo para Portugal ser um destino ainda mais sustentável e competitivo.

Nova rubrica

Countdown to Web Summit 2022 é uma nova rubrica no Diário de Notícias que antevê algumas das tendências que vão marcar o próximo encontro mundial das startups no final de outubro, em Lisboa. Até à semana do evento, estarão em análise as oportunidades e os desafios dos investidores, os exemplos inspiradores e as novidades que vão marcar a agenda dos empreendedores nacionais e mundiais. O palco passa por aqui, com a reflexão de especialistas numa nova série de artigos de opinião. O artigo hoje publicado tem a assinatura de Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal, da European Travel Commission e do NEST - Centro de Inovação do Turismo.

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