Greve nos super: "impacto residual" para patrões, "adesão grande" para sindicatos

Patrões e empregados com versões contraditórias sobre o impacto da paralisação de dois dias no setor

O segundo e último dia da greve dos trabalhadores de lojas, super e hipermercados manteve um "impacto residual", segundo os patrões, enquanto que o sindicato do setor avança que a adesão foi "muito superior" à de sábado.

Em comunicado, a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), revela que estão a funcionar em todo o país "mais de 99% lojas de retalho alimentar e não alimentar dos associados, tal como aconteceu no dia de sábado".

"Confirma-se, assim, o impacto residual da greve no setor. Com estes dados estranha-se que as estruturas sindicais falem publicamente em percentagens de adesão à greve que dificilmente poderão corresponder à realidade", pode ler-se no comunicado.

No entanto, contactada Lusa, Isabel Camarinha, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP), avançou que o número de trabalhadores em greve "é muito superior ao do dia de ontem [sábado] na maior parte dos casos".

Isabel Camarinha explicou que muitos dos trabalhadores, por não poderem perder os dois dias de salário, optaram por só fazer greve num dos dias, escolhendo a véspera de Natal, facto que provocou "muita desestabilização nas lojas", tendo os patrões incorrido em "muito incumprimentos".

"Estão muito menos trabalhadores do que aqueles que deviam estar, com chefias a assegurar postos de trabalho em algumas lojas do Jumbo, e trabalhadores administrativos, que não trabalham ao domingo, e que foram chamados, situações que acontecem no Continente e no Pingo Doce", disse a sindicalista.

A sindicalista avançou ainda com a existência de lojas do Minipreço/Dia e Clarel "fechadas por todo o país", além do caso de lojas da cadeia alemã Lidl que "só não fecharam porque alegadamente foram contratadas pessoas para irem trabalhar".

"Demos conta da situação às autoridades e veremos o que vai acontecer", sublinhou.

Os trabalhadores do retalho terminaram hoje uma greve de dois dias, que decorreu em simultâneo com a do pessoal dos armazéns, que começou o protesto na sexta-feira.

A paralisação, convocada pelos sindicatos da CGTP, tem como objetivo pressionar a APED a evoluir na negociação do contrato coletivo do setor para que se concretizem aumentos salariais, alterações de carreira e regulamentação dos horários de trabalho.

Na sexta-feira os trabalhadores dos armazéns e da logística do Lidl, Minipreço, Jerónimo Martins e Sonae estiveram em greve e concentraram-se junto às respetivas empresas.

As empresas associadas da APED empregam 111 mil trabalhadores.

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