Governo lança Estratégia Nacional para o Design

Organização britânica participa na estratégia para o design. Governo quer apoiar empreendedorismo e capital de risco

O governo vai lançar, pela primeira vez, a Estratégia Nacional para o Design, tendo contratado para o efeito o Design Council, do Reino Unido, para apresentação do projeto dentro de duas semanas. O anúncio foi ontem feito pelo secretário de Estado da Indústria, na conferência de lançamento dos prémios Millennium Horizontes, como contributo para o reforço da internacionalização das empresas portuguesas.

João Vasconcelos insere aquela iniciativa num conjunto de outras como o "Inov 4.0" destinado a apoiar a digitalização das empresas, porque "o digital é essencialmente uma estratégia para vender mais e mais longe", disse. Por isso, acrescentou, é importante investir na formação e na literacia digital das várias gerações.

"O digital é a primeira revolução na história da economia em que Portugal pode entrar no pelotão da frente", considerou o secretário de Estado, por oposição às revoluções industrial e de automação, em que estávamos em posição de grande desvantagem.

O apoio ao empreendedorismo será uma das linhas do programa nacional de reformas. Não sem razão. "As empresas que estão a criar mais emprego têm menos de cinco anos", disse. Por outro lado, sublinhou que "as novas empresas são normalmente responsáveis por soluções mais inovadoras, crescimento mais rápido e criação de emprego mais qualificado".

O governante referiu-se também ao programa Semente, de apoio ao capital de risco, que permite deduzir até 100 mil euros em sede de IRC, o investimento em startups.

Prémios para "quem faz bem", seja ou não cliente BCP

Candidaturas abrem hoje e fecham a 15 de julho. Serão selecionados cinco finalistas em todas as categorias, totalizando 35

Distribuídos por quatro categorias, ao todo, serão sete os Prémios Millennium Horizontes que este banco acaba de criar e que ontem apresentou numa conferência de lançamento na Pousada de Lisboa, na Praça do Comércio. "São prémios que têm a intenção de destacar as empresas que conseguem ir mais longe", disse Maria Montserrat Duarte, diretora do Marketing de Empresas do Millennium BCP.

A partir de hoje, as candidaturas estão abertas - no site - a todas as empresas que exportem mais de 20% do seu volume de negócios, tenham, pelo menos, duas unidades lá fora e que "tenham no seu ADN uma matriz de inovação", explicou a responsável. Requisitos que não têm de ser cumulativos.

Os prémios terão três categorias permanentes, dedicadas à exportação, inovação e internacionalização e, cada uma delas, terá dois vencedores: uma grande empresa e uma PME. Neste ano inaugural, haverá uma categoria especial para as microempresas.

A seleção vai decorrer em duas fases: até 30 de agosto, vão ser escolhidos cinco finalistas em todas as categorias; depois, um júri definirá os vencedores, que serão anunciados em finais de setembro. O processo de seleção conta com o apoio da AICEP, da COTEC e de um parceiro académico, que vão avaliar os atributos das candidatas. Na avaliação será usada uma versão renovada da Innovation Scoring, uma ferramenta desenvolvida pela COTEC, cujo funcionamento foi explicado por Carlos Cabeleira, diretor de projetos desta associação para a inovação.

Millennium "abre horizontes" a novos projetos

O Millennium BCP considera que, "neste momento, há condições de financiamento adequadas para os bons projetos" e, por isso, resolveu "abrir horizontes", lançando um prémio anual que visa convidar as empresas à expansão, à inovação e a apostar na exportação. Isso mesmo afirmou ontem o presidente executivo daquele banco, na conferência de abertura dos Prémios Horizontes. Segundo Nuno Amado, foi "a falta de confiança e de procura" que levou a que não houvesse financiamento no passado. Uma situação que está a ser superada, embora o preço do crédito em Portugal ainda esteja acima da média europeia e o rating financeiro do país tenha de melhorar.

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